EM DESTAQUE: Entrega de diplomas no ano de 1966, na Escola Getúlio Vargas. Alunos do 5º ano da professora Isaura Marly Rodrigues. Foto localizada pelo GPEC na Biblioteca da Escola Getúlio Vargas.
Em nosso último post anunciamos que o tema da edição de dez/2023 seria : As festas de fim de ano nas escolas da Bahia.
Enquanto preparamos as próximas postagens, leia o texto-provocação no qual trazemos o significado das festas de fim de ano nas escolas do passado. Aproveite a leitura para refletir sobre o nosso presente a partir das seguintes questões:
O que você conhece das festas de fim de ano nas escolas de hoje ?
Que signficado as festas de fim de ano tem em nossas escolas?
As festas escolares na Bahia: Para além da celebração e do julgamento 1
[NaBahia]Durante a Primeira República os exames e premiações foram utilizados para demarcar os tempos de aprendizagem e os momentos de validação do trabalho do professor. Preenchiam a função de dar visibilidade ao trabalho escolar, tornando-o objeto da atenção e do interesse da comunidade externa à escola em uma função clara de regulação do trabalho dos alunos e dos professores; eram parte de um sistema através do qual a escola prestava publicamente contas da sua eficiência
[…]o regimento de 1891 estabelecia que o professor que durante cinco anos consecutivos desse alunos prontos seria publicamente elogiado pela autoridade que presidisse a solenidade de entrega de diplomas e prêmios aos alunos.
Professores cujos alunos apresentassem um bom desempenho também teriam menção honrosa registrada na ata dos exames que deveria ser encaminhada à Diretoria de Instrução.
Assim, articulava-se julgamento e celebração a partir de um mesmo instrumento – os exames, e estava criado um sistema de regulação do trabalho do professor intrinsecamente vinculado ao êxito obtido pelos alunos nos exames finais.
[…]Os alunos “prontos”, que obtinham o certificado de conclusão do curso primário elementar nos exames realizados por uma comissão presidida por uma autoridade educacional ou um professor respeitável, ajudavam a construir uma imagem que acompanhava o professor pela vida afora, com reflexos no status que a sociedade lhe atribuía. Isso refletia na demanda por matrícula na escola onde ensinava e, se ele acumulava o ensino em escola pública com o magistério particular, certamente obtinha mais frutos.
[…] Os exames do final do ano eram seguidos de festas realizadas por cada escola para celebrar os resultados e encerrar o ano letivo. Nos últimos meses do ano de 1913 e 1914, o Diário de Notícias, A Tarde, Diário da Bahia e a Gazeta do Povo (a folha oficial da administração pública do Estado) publicaram várias notas para dar notícia das festas das escolas públicas e particulares, de todo o Estado. Algumas notas sumárias e outras escritas com certa abundância de detalhes mostram o tom de celebração que essas festas assumem. De cunho restrito à escola, as festas envolviam pais, alunos, algumas vezes os membros da Comissão de exames, professores e convidados. A programação constava de representações teatrais, cânticos, declamações, premiações e exposição dos trabalhos escolares. Davam lugar a elogios ao trabalho dos professores e, quase sempre, culminavam com profusa distribuição de finos doces a todos os presentes. As notícias nos jornais da cidade de Salvador denotam a importância atribuída aos festejos de encerramento dos trabalhos escolares e o seu caráter de celebração dos resultados finais, […].
Com a mesma tônica, mas tendo um caráter coletivo, realizava-se todo fim do ano, em Salvador, as Exposições Escolares.[…].
O principal objetivo da exposição era a mostra dos trabalhos manuais realizados pelas crianças para dar publicidade ao que aprenderam e ao que os professores ensinaram.
_______________________
1.Texto composto com trechos selecionados do artigo PARA ALÉM DO JULGAMENTO E DA CELEBRAÇÃO: FESTAS E EXAMES, OS RITOS SOLENES DE FIM DE ANO NA ESCOLA PRIMÁRIA DA BAHIA NA PRIMEIRA REPÚBLICA de autoria de Elizabete Conceição Santana;Ladjane Alves Souza e Verônica de Jesus Brandão. Disponível em https://drive.google.com/file/d/1xj-hnuwOz6o6pbN94u4oLRHHt38USg2W/view?usp=sharing
SALVE O DIA DE HOJE, DIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO.
Que as bençãos da padroeira da Bahia recaiam sobre os nossos leitores!
Hino disponível em https://www.youtube.com/watch?v=HIacNRNszzA
Conheça a letra do hino:
Hino de Nossa Senhora da Conceição da Praia composto por Arthur de Sales, em 18 de junho 1946
“Suba em cantos de excelsa alegria,
Deste céu sob o vivo esplendor,
A alma heróica da tua Bahia,
Na fervente explosão do alto amor.
Refrão
Ave, em teu dia fulgente.
Ave, Divina Maria.
Reinarás eternamente
No coração da Bahia.
Junto às águas do eterno oceano,
Da montanha sagrada ao sopé,
Fostes a luz do teu povo bahiano,
No trabalho. no amor e na fé.
Hoje, aqui, num fervor sublimado,
Vem seu culto o presete render.
Vem, também, aos teus pés o passado
Da cidade que viste nascer.
Sobre o nosso passado de glórias
Tua bênção sentimos cair.
Dá-nos, pois, que da fé as vitórias
Brilhem sempre no nosso porvir.
Paz ao mundo pedimos, Senhora,
Neste dia do nosso louvor.
Manda ao mundo essa paz redentora,
Fonte santa de vida e de amor.”