EM DESTAQUE: Sala da Escola infantil do Instituto Normal da Bahia, em Salvador, vendo -se ao lado do armário um pequeno quadro de giz afixado na parede. Foto de GONSALVES, sem indicação de data, localizada no IGHB.
Disponível em:
http://www.ighb.servclt.com.br/phl83/dadosexternos/arqimg/FOT.3759.jpg
Sobre o tema central do mês de setembro no Blog Modos de Fazer Educação na Bahia
“Todos guardam em sua memória da sala de aula a presença significativa do quadro-negro” foi o que afirmou Maria Helena Camara Bastos (2005) no texto DO QUADRO-NEGRO À LOUSA DIGITAL: A HISTÓRIA DE UM DISPOSITIVO ESCOLAR publicado no Cadernos de História da Educação – nº. 4 – jan./dez. 2005.
Reconhecendo que a vida escolar de todos os estudantes foi e é marcada por esse e outros objetos escolares, elegemos o tema materialidade das escolas baianas como tema central para o mês de setembro 2025.
O texto abaixo “Memórias do giz” é uma provocação para fazer você, leitor, relembrar suas experiências com os espaços, utensílios e mobiliário da escola onde você estudou, trabalha ou trabalhou.
Leia o texto e visualize ao final da página a série de fotos que mostra a evolução dos modelos de quadro negro.
Caso queira, utilize o formulário abaixo para registrar sua experiência.
Memórias do giz
Texto publicado em 2 de outubro de 2011 no jornal Extra Classe, do Sindicato de professores do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS). Disponível em: https://www.extraclasse.org.br/opiniao/colunistas/2011/10/memorias-do-giz/
Era um quadro-negro que não era negro, era verde. Verde-escuro, manchado, empoeirado, mofado. Por tudo isso, um quadro triste. Bastava olhar pra ver que tinha tido dias melhores.
Mas ninguém podia olhar pro quadro: estava atrás da pilha de portas de casas demolidas, escoradas numa parede de um depósito de materiais de construção. Vez ou outra, nas buscas de um cliente, o arranjo das portas se rearranjava. Aí, algum raio de luz atravessava as frestas e pousava na lousa. Nesses breves instantes, o quadro-verde ganhava um tom esperançoso.
Um dia arremataram dezenas de portas e o quadro quase cegou de luz: estava à vista, o mofo atacado de claridade.
Na mesma ocasião, uma bola da meninada vizinha saltou o muro e caiu perto do quadro. E não deu outra: as crianças que vieram pedir a bola viram o quadro e bastou um pedido para o quadro sair dali com elas.
Num quintal da vizinhança, o quadro foi lavado e secou ao sol primaveril. E faminto como estava de carbonato de cálcio, adorou quando vários tocos de giz colorido se enfileiraram junto dele. Logo letras e números, palavras e frases o reanimaram. Seu verde-escuro se avivou e o contraste facilitou a leitura da meninada.
A partir daí, uma sala de aula de faz-de-conta enchia os ares de vozes alegres, que repetiam as lições da escola lá na periferia. Mas o faz-de-conta foi além da conta.
Ao fim das brincadeiras (crianças maiores “ensinando” crianças menores ou todos juntos fazendo o quadro de muro de grafites) o quadro era limpo, pronto pra outro dia de agitos de giz. Na manhã seguinte, a surpresa: lá estava o quadro com exercícios novos, numa letra linda e floreada, de ninguém dali. Ou pelo menos ninguém que admitisse autoria.
Virou um mistério. Experimentaram armadilhas: deixar o quadro tapado com um pano grande; encher o quadro todo com rabiscos; cobrir com desenhos. Nada disso fez efeito: o quadro reapresentava sua magia, com exercícios à moda antiga.
Só não lembravam de esconder o quadro bem-escondido, largado num puxado num dos tantos quintais da zona, ao lado de uma passagem. Mas por mais que deitassem tarde ou acordassem cedo pra vigiar, lá estava outra lição do dia.
Até que alguém comparou a letra no quadro com a de um caderno de compras da sua avó: era igual! Aliás, era igual a de todos os cadernos da venda. O que foi confirmado quando foram até lá comprar giz com um dos cadernos e a dona da venda anotou com capricho a despesa. A mesma caligrafia de ex-professora.
Mas ninguém abriu a boca. Era melhor conviver com aquele jogo.
Para acessar o site do Sinpro/RShttps://www.extraclasse.org.br/geral/
O texto de Maria Helena Camara Bastos (2005) ” DO QUADRO-NEGRO À LOUSA DIGITAL: A HISTÓRIA DE UM DISPOSITIVO ESCOLAR” está disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/che/article/download/391/372/1319
Os diversos modelos de quadro negro que circularam nas escolas ao longo do tempo.
Séculos XVIII, XIX e em boa parte do século XX
Modelos antigos feitos de ardósia na cor negra ou cinza nos quais se escrevia com o giz branco

Lousa de ardósia para uso individual
Foto disponível em: https://chinastationery.com/pt/knowledge/blackboards-for-schools

Quadro negro fixado na parede da sala de aula para uso dos alunos e professor
Foto disponível em: https://chinastationery.com/pt/knowledge/blackboards-for-school

Lousa negra tipo cavalete e lousa negra fixada na parede com quadros móveis.
Foto disponível em:https://movplan.com.br/aevolucaodalousa/

Lousa móvel.
Foto disponível em: https://chinastationery.com/pt/knowledge/blackboards-for-schools
Desde 1950

Lousa verde
Foto disponível em:https://movplan.com.br/aevolucaodalousa/
Desde 1960

Lousa branca
Foto disponível em https://chinastationery.com/pt/knowledge/blackboards-for-schools
Final do século XX e século XXI

Lousa digital interativa
Quadro branco no qual é possível reproduzir vídeos, acessar a internet, criar apresentações interativas e dinamizar informação
Foto disponível emhttps://movplan.com.br/blog/lousa-digital-interativa/
AGRADECEMOS SUA VISITA E QUEREMOS SABER:
Com que modelo de quadro negro/lousa você conviveu como aluno ou professor? Que lembranças tem da experiência?
USE O FORMULÁRIO ABAIXO PARA COLOCAR SEU COMENTÁRIO