Hastear a Bandeira Nacional e cantar o hino: as práticas para cultivar o amor à pátria nas primeiras décadas da República, na Bahia.

EXPOSIÇÃO MAIO 2024

EM DESTAQUE: No pátio da Escola Normal ( então ICEIA), Angelo Alves de Almeida hasteando a Bandeira Nacional nas comemorações do aniversário de Isaías Alves de Almeida. (Imagem do estúdio FOTO JONAS localizada no Arquivo Público do Estado da Bahia).

A imagem do crucificado, os catecismos e o retrato do Monarca, objetos simbólicos presentes na sala de aula durante o Império.

Entre o fim do Império e os primeiros anos da República houve mudanças nas solicitações de objetos “precisos” que as escolas faziam para compor as salas de aulas. Entre os objetos relacionados como “precisos” nos pedidos dos anos de 1883 e 1884 levantados pelo GPEC estavam: Imagem do crucificado, catecismos e o retrato do Monarca.

Relação dos livros e mais objetos precisos para a Escola do sexo feminino de Vila da Barra do Rio de Contas, em 1884.

FONTE: Arquivo Público do Estado da Bahia

Veja aqui em Pdf as solicitações de objetos “precisos” dos anos de 1883 e 1884:

solicitação para a escola de Vila do Riacho de Santana

solicitação professora de Vila da Barra do Rio de Contas

Na Bahia a Bandeira Nacional passou a integrar a relação dos objetos “precisos” nas escolas, no ínicio da República.

Cerimônia de hasteamento da Bandeira Nacional na Escola Normal da Bahia(então Instituto Normal Isaias Alves). Foto localizada no Arquivo Público do Estado da Bahia, sem indicação de data.

Após a Proclamação da República, O ATO DE 04 DE OUTUBRO DE 1895 que regulamentou o ensino primário da Bahia incluiu a Bandeira Nacional entre os demais objetos que deveriam compor o “material escolar”. A inclusão da bandeira nos pedidos das escolas tornou-se frequente e esse artefato passou a estar presente nos diversos eventos e cerimônias escolares.

Transcrição da solicitação encaminhada pelo professor Cincinnato Franca, em 1908

Material de ensino para o grupo escolar da Penha pedido ao excelentíssimo senhor Conselheiro Doutor Intendente Municipal pelo professor Cincinnato R. Pereira da  Franca, em 5/10/1908.

Mapas murais das 5 partes do mundo.

Três mapas murais do  Brasil (Olavo Freire)

Três mapas murais  do estado da Bahia (Olavo Freire)

Mapa mural do Distrito Federal

Mapa geral do Brasil, por Delagrave

Quadros murais para sistema métrico

Coleções completas. de sólidos geométricos (madeira)

Museu escolar brasileiro

Uma Bandeira nacional

Um aritômetro ou contador mecânico

Um sistema planetário

Uma esfera geográfica.

Um museu mural de botânica e ciências naturais

Três [ ? ] para  professores

Três tinteiros para professores

Bahia, 5 de outubro de 1908.

Cincinnato R. Pereira da  Franca.

FONTE: Arquivo Histórico Municipal de Salvador. (Documento transcrito em sua grafia original)

Para ler em Pdf o original da solicitação do professor Cincinnato, clique no link solicitação Cincinnato

Material escolar para a escola primária relacionado no Regulamento vigente a partir do ano de 1895.

Bancos-carteiras;

Mesa e cadeira de braços para o professor;

Estrado – plataforma de 0.m20 de altura e 1,m20 de largura;

Quadros negros quadriculados, pautados e lisos;

Relogio de parede;

Thermometro e barometro;

Armarios para os livros, objectos de classe e estantes, cadeiras e mesa para o museu e a bibliotheca;

Mappas muraes das cinco partes do mundo;

Mappa mural do Brazil;

Mappa mural da Bahia;

Apparelho metrico;

Collecção completa de solidos geometricos;

Estojos e mais apparelhos para o ensino de desenho;

Modelos em gesso para desenho;

Nivel;

Instrumentos de physica;

Museu escolar brazileiro;

Bandeira nacional;

Lavatorio;

Numerador;

Ardosias;

Planetario;

Medalhas de merito;

Quadro de honra;

Livros classicos approvados pelo Conselho Superior do Ensino;

Cadernos de trabalhos mensaes;

Material para ensino objectivo da historia patria.

FONTE: BAHIA. ATO DE 04 DE OUTUBRO DE 1895. Regulamenta o ensino primário e inclui o programa de ensino ( Art.135 a 146). Transcrito conforme grafia original

A obrigatoriedade do culto à bandeira nas escolas da Bahia

A letra b, do artigo 44, do Regulamento aprovado no ano de 1904, na Bahia, determinou que entre as obrigações do professor está a de:

abrir diariamente as aulas com uma saudação feita pelos alumnos á bandeira do Brasil, que será conservada nas salas da escola, em logar distincto, como objecto de veneração e de amor para todos os discípulos; ( citação transcrita na grafia original do DECRETO N. 281 DE 5 de dezembro de 1904)

Relatórios de professores, de delegados escolares e inspetores referem-se ao culto à bandeira em seus relatos de festas escolares. O hasteamento e a “descida” da bandeira eram momentos solenes contando muitas vezes com a presença das autoridades locais. Cantar os hinos (Nacional, da Bandeira e outros) também era parte do programa desses eventos.

Fotos, relatórios, páginas de revistas e jornais são evidências da presença da Bandeira Nacional e dos hinos nas práticas das escolas baianas

Cerimônia do juramento a bandeira, em Maracás, pelas  alunas de uma escola estadual. Set.1922.

Foto localizada no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Disponível em:https://www.ighb.servclt.com.br/phl83/dadosexternos/arqimg/FOT.1729.jpg

Cerimônia do juramento a bandeira, em Maracás, pelos alunos de uma escola estadual. Set.1922.

Foto localizada no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Disponível em: http://www.ighb.servclt.com.br/phl83/dadosexternos/arqimg/FOT.1730.jpg

Programa do encerramento do ano letivo nas Escolas Reunidas de Caravelas, 1931.

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FONTE: Relatório das Escolas Reunidas de Caravelas do ano de 1931. Documento localizado no Arquivo Público do Estado da Bahia

Página do Número 1, do ano 1, do jornal O Gury com descrição do uso do hino e da bandeira na festa de 7 de setembro.

Relatório do Inspetor Francisco Batista Neves Filho apresentado no ano de 1940. Documento localizado no Arquivo Público do Estado da Bahia.

Programa da Festa de encerramento do ano letivo das escolas públicas de Santo Amaro, em 19 de novenbro de 1937.

Relatório de Thomaz de Aquino Oliveira, Inspetor Escolar, apresentado em 1938, localizado no Arquivo Público do Estado da Bahia.

Veja aqui em PDF programa encerramento aulas Santo Amaro

Alunas do Educandário de Nazaré, em desfile no 7 de setembro de 1943

Relatório da Fiscal do Governo, Italva Rios, apresentado em 1943. Documento localizado no Arquivo Público do Estado da Bahia.

Os alunos do Jardim da Infância também deviam ser iniciadas no culto à Bandeira.

Entre as atividades recomendadas no livro O Jardim de Infância pelo Professsor da Escola Normal, Alipio Franca, encontravam-se cânticos e poesias destinados a iniciar as crianças no culto à Bandeira.

Página do livro O Jardim de Infância de autoria de Alpio Franca.

FONTE: Franca, Alipio. O Jardim de Infância. 2 ed. Bahia: Oficinas Gráficas d’ A Luva.1936.

Capa do livro O Jardim de Infância

Livro localizado na Biblioteca Anísio Teixeira da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia

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