Ditado, cópia, leitura expressiva, dramatização, recitação, declamação: AS PRÁTICAS DO PASSADO PARA DESENVOLVER A EXPRESSÃO ESCRITA E ORAL.

EXPOSIÇÃO ABRIL 2024

EM DESTAQUE: Alunos da Escola Getúlio Vargas, em Salvador, em uma dramatização montada para comemoraar o Sesquicentenário da Independência do Brasil, no ano de 1972. Foto localizada na biblioteca da escola.

Por que e para que publicar observações sobre as antigas práticas de ensino?

Ao relacionar disciplinas, conteúdos e atividades o plano de estudos e os horários publicados, em 1891, no REGIMENTO INTERNO PARA AS ESCOLAS PÚBLICAS PRIMÁRIAS nos dão uma ideia das práticas de ensino – aprendizagem que os professores das escolas primárias na Bahia deviam adotar, no início da Primeira República.

E por que e para que levantar alguns pontos sobre o tema neste Blog? Para demonstrar a sua importância e despertar o interesse pelo seu estudo. Assim, poderemos alcançar uma melhor compreensão de como chegamos até à escola baiana do tempo da “selfie” e identificar elementos que contribuam para transformá-la em uma nova direção.

Desejamos que as referências apresentadas nesta página sejam um ponto de partida para estudos mais aprofundados e sistematizados de um aspecto ainda pouco estudado na história da educação da Bahia.

ATO DE 7 DE MARÇO DE 1891 –REGIMENTO INTERNO PARA AS ESCOLAS PÚBLICAS PRIMÁRIAS. Publicado em ATOS DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA De 28 de Novembro de 1889 a 30 de junho de 1891.Typografia Bahiana. 1911 p. 17-26. Disponível em:https://drive.google.com/file/d/10swIExfgshta2WCkphqwrN2IpsqvHRHY/view?usp=sharing

ATO DE 7 DE MARÇO DE 1891 –REGIMENTO INTERNO PARA AS ESCOLAS PÚBLICAS PRIMÁRIAS. Publicado em ATOS DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA De 28 de Novembro de 1889 a 30 de junho de 1891.Typografia Bahiana. 1911 p. 17-26. Disponível NO BLOG ATRAVÉS DO LINK:
https://drive.google.com/file/d/10swIExfgshta2WCkphqwrN2IpsqvHRHY/view?usp=sharing

PARA UMA MELHOR COMPREENSÃO DA DIVISÃO DA ESCOLA PRIMÁRIA EM CURSO ELEMENTAR, MÉDIO E SUPERIOR RECOMENDAMOS CONSULTAR A PÁGINA https://modosdefazer.org/leis-e-atos-da-instrucao-publica-na-bahia/ PARA CONHECER A ESTRUTURA DO ENSINO PRIMÁRIO EM CADA UMA DAS LEIS DO ENSINO VIGENTES NA PRIMEIRA REPÚBLICA.

A presença diária da Aritmética, Língua Materna, Escrita, Leitura e Desenho no horário acima indica a importância atribuída a esses conteúdos e, consequentemente, aponta o valor atribuído às práticas voltadas para o ensino dos mesmos. Ao indicar a divisão de tempo para o ensino de cada disciplina e realização das atividades , o horário propõe um ritmo para o funcionamento da classe.

O plano gradual das matérias determina a divisão dos conteúdos de acordo com o nível de aprendizagem do aluno e traz indicações sobre os métodos e modos de fazer o ensino. Indica , por exemplo, as disciplinas ou conteúdos que devem ser ensinados usando o método intuitivo, o tipo de exercício ou atividade para o ensino da leitura e o tipo de letra para o ensino da escrita.

Ditado e cópia como práticas de aprendizagem do conteúdo das diversas disciplinas.

A cópia era intensamente utilizada como recurso de aprendizagem. O seu uso constava dos atos legais que determinavam normas para o funcionamento das aulas.

Segundo o horário provisório para as escolas do 1.º grau administradas pela Intendência de Salvador(ver em Instruções sobre material e exames da Intendência Municipal de Salvador 2) os alunos do primeiro curso deveriam das 9:00 às 9:30 fazer a cópia da lição geral de leitura; os alunos do 2 e 3 curso faziam alternadamente cópia de duas lições por semana de ciëncias físico naturais, agicultura e higiene e de três licões por semana para cada matéria de Lingua Materna, História, Geografia.

No relato dos professores sobre o modo como dirigiam os trabalhos em suas classes a cópia e o ditado eram elementos centrais.

As práticas de escrita e leitura nas vozes dos professores municipais de Salvador, no ano de 1899.

Trecho do relatório do ano de 1899 da professora da escola de meninas do Rio Vermelho, Amélia de Castro Brochado (transcrito de acordo com a grafia atual):

O ensino de cada disciplina do programa é atualmente feito nesta escola pelos seguintes processos:

1.º. Cada aluna do mesmo curso lê alto a mesma lição em seu próprio livro, embora de diferentes autores; feita a leitura, explico-a, e, depois de bem compreendida parte das alunas repete a explicação e a põe em prática.

2.º. No ensino da ortografia, a aluna que comete erros desta espécie é obrigada a copiá-los 10 ou 20 vezes, depois de corrigidos

Por esses processos tenho conseguido resultados assaz satisfatórios, como provam os termos de exames e muitos de visitas, constantes dos respectivos livros de escrituração escolar.

Entretanto, forçoso é confessar que luto em grnde dificuldade pela falta do material indispensável ao ensino dos diferentes ramos do programa modernamente adotado.

Trecho do relatório, do ano de 1899, das professoras da escola municipal feminina do distrito de São Pedro, Bernardina Siqueira da Silva e Durvalina América de Souza (transcrito de acordo com a grafia atual)::

Na medida das nossas forças empregamos os diversos processos de exposição de aplicação e de correção.

Na exposição usamos da intuição direta por meio do contador, dos sólidos geométricos e dos objetos naturais, e da figurativa pelos mapas geográficos, quadro de do sistema métrico, gravuras e desenhos de objetos. Os alunos reproduzem  verbalmente e por escrito as lições gerais, copia, imita, e transforma um assunto.

[…]. Enpregamos algumas vezes o processo da troca de cadernos na correção de provas ortográficas.

Não é fácil dizermos quais os livros adotados. Pelas lições gerais ensinamos o que julgamos acessível à inteligência das alunas.

À classe preparatória a adjunta faz a lição de língua materna em cartões impressos e no quadro preto onde este grupo aprende ao mesmo tempo a escrita. […]. O primeiro curso escreve ditados fáceis. Estão em práticas as lições gerais das diversas disciplinas.

Temos preferidos para o exercício de leitura nos diversos cursos os livros de Felisberto de Carvalho.

Ao regular os exames, os atos administrativos também regulavam (limitavam) a prática dos professores.

Prova de aluno de escola pública municipal de Salvador, com ditado e cópia escritos em exame realizado no ano de 1900

Fonte: Arquivo Histórico Municipal de Salvador ( Documento fotografado pelo GPEC).

Em Salvador e em todo o estado, as normas para os exames finais reforçavam o uso cotidiano do ditado e de outras práticas em sala de aula. Os alunos estavam obrigados a demonstrar diante das comissões que presidiam os exames o nível de aprendizagem alcançado nessas práticas.

As instruções sobre os exames finais dirigidas aos professores das escolas municipais de Salvador (Instruções sobre material e exames da Intendência Municipal de Salvador 2), determinavam:

Art. 5.º Os exames finaes versarão sobre pontos dados pelos Delegados Escholares e constarão de provas escriptas, oraes e apresentação de trabalhos.
Art. 6.º Nas escholas primarias de 1.º gráo, mixtas e cursos para adultos haverá: um dictado e um exercicio de redacção, em que se apreciarão a calligraphia, a orthographia e a redacção;

  • prova oral que consistirá em leitura expressiva de um trecho fácil;
  • argüição sobre cada uma das materias do programma, recitação declamada de um trecho selecto ou poesia nacional; exposição de trabalhos de desenho ou de officina das eschola do sexo masculino e de trabalhos de agulha das escholas do sexo feminino;
  • revista geral de trabalhos de gymnastica e exercicios militares;
  • canticos e solfejos dos canticos patrioticos.
    Art. 7.º Cada prova será julgada separadamente e terá, conforme o seu merecimento, as seguintes notas: má, soffrivel, bôa, optima. (Texto transcrito de acordo com a grafia original).

INSTRUÇÃO DE 17 DE NOVEMBRO DE 1896, N.3, . Disponível em: Instruções
sobre material e exames da Intendência Municipal de Salvador 2

A fotos de prova realizada no ano de 1922, localizada no Arquivo Histórico Municipal, demonstra a permanência das práticas.

Ditado de aluno de escola municipal de Salvador escrito em exame final realizado na Escola de Belas Artes, em 1922.

Fonte: Arquivo Histórico Municipal de Salvador ( Documento fotografado pelo GPEC).

Composição: Cartas e bilhetes para aprender a comunicar ideias e opiniões.

Quanto à composição, Alípio Franca (1920), formador de professores na Escola Normal, dizia que esse gênero de exercício devia ser feito: por meio de composições de frases, de ligeiras descrições de objetos conhecidos, cartas, tudo ao alcance dos alunos e sempre na ordem crescente do mais simples ao mais complexo, à medida que os alunos vão se fortificando nos seus conhecimentos.

Composição escrita a partir de palavras dadas no exame final realizado no Paço Municipal de Salvador, em 1908.

Fonte: Arquivo Histórico Municipal de Salvador.

Carta escrita durante exame final realizado em 1923

Fonte: Arquivo Histórico Municipal de Salvador.

As práticas de ensino da escrita e leitura na escola do professor POSSIDÔNIO DIAS COELHO, na década de 20, do século XX, na descrição de Álvaro Zózimo.

Trecho da página 27 do livro escrito por Álvaro Zózimo publicado pela UNEB /IAT, em 1998

Fonte: ZÓZIMO, Álvaro. SEMPRE A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO: Uma experiência de vida de mais de 80 anos. BAHIA: UNEB /IAT, 1998. Livro localizado na Biblioteca do Instituto Central de Educação Isaias Alves.

Recitar, declamar e dramatizar atividades sempre presentes na escola do passado.

A declamação foi citada no plano de estudos anteriormente apresentado como conteúdo a ser ensinado aos alunos do curso superior da escola primária. A recitação foi colocada como um equivalente das lições no horário provisório incluído, em 1896, nas Instruções sobre material e exames da Intendência Municipal de Salvador 2.

Nesses documentos não há referências sobre a dramatização. Nas escolas particulares, municipais e estaduais a dramatização e a declamação de poesias eram atividades de destaque nos programas das festas de encerramento das aulas, no final do ano, e em outras comemorações escolares. Portanto, certamaente eram objetos de treino sistemático nas salas de aula.

Notícia de festa na Escola Municipal de Santana, em 1913, com indicação da representação de comédia e da realização de uma sessão literária.

Jornal Diário da Bahia, 3 de dezembro de 1913.

Programa do Festival em Benefício da Caixa Escolar da Lapa, no ano de 1937, com indicação da atividade de dramatização a ser realizada

Fonte: Relatório do Inspetor da Primeira Região Thomaz Aquino Couto Oliveira apresentado, no ano de 1937. 

RELEMBRANDO:

POR FAVOR, AO USAR CONTEÚDO RETIRADO DE NOSSAS PUBLICAÇÒES CITE O BLOG MODOS DE FAZER EDUCAÇÃO NA BAHIA E INDIQUE A INSTITUIÇÃO QUE FOI A NOSSA FONTE PARA LOCALIZAÇÃO E FOTOGRAFIA DOS DOCUMENTOS INCLUÍDOS EM NOSSAS POSTAGENS.

Um resumo das fontes e links citados nesta página

Relatório da professora da escola de meninas do Rio Vermelho do ano de 1899

Relatório da professora da Escola do sexo feminino do distrito de São Pedro

Instruções sobre material e exames da Intendência Municipal de Salvador 2

Relatório do Inspetor da Primeira Região Thomaz Aquino Couto Oliveira apresentado, no ano de 1937 (localizado no Arquivo Público do Estado da Bahia.

ATO DE 7 DE MARÇO DE 1891 –REGIMENTO INTERNO PARA AS ESCOLAS PÚBLICAS PRIMÁRIAS. Publicado em ATOS DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA De 28 de Novembro de 1889 a 30 de junho de 1891.Typografia Bahiana. 1911 p. 17-26. Disponível NO BLOG ATRAVÉS DO LINK:
https://drive.google.com/file/d/10swIExfgshta2WCkphqwrN2IpsqvHRHY/view?usp=sharing

PARA UMA MELHOR COMPREENSÃO DA DIVISÃO DA ESCOLA PRIMÁRIA EM CURSO ELEMENTAR, MÉDIO E SUPERIOR RECOMENDAMOS CONSULTAR A PÁGINA https://modosdefazer.org/leis-e-atos-da-instrucao-publica-na-bahia/ PARA CONHECER A ESTRUTURA DO ENSINO PRIMÁRIO EM CADA UMA DAS LEIS DO ENSINO VIGENTES NA PRIMEIRA REPÚBLICA.

ZÓZIMO, Álvaro. SEMPRE A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO: Uma experiência de vida de mais de 80 anos. Bahia: UNEB /IAT, 1998. Localizado na Biblioteca do Instituto Central de Educação Isaias Alves

FRANCA, Alipio. NOÇÕES DE METODOLOGIA E DE ORGANIZAÇÃO ESCOLAR –.Bahia: Tipografia Peixoto, 1920. Localizado na Subgerência de Obras Raras e Valiosas/Biblioteca Pública do Estado da Bahia.

 

Um comentário em “Ditado, cópia, leitura expressiva, dramatização, recitação, declamação: AS PRÁTICAS DO PASSADO PARA DESENVOLVER A EXPRESSÃO ESCRITA E ORAL.

  1. Parabéns por essa joia histórica. Seria interessante que os professores nos cursos de Pedagogia e de Licenciatura estudassem esses documentos em História da Educação e/ou em outras disciplinas, como Didática.
    As técnicas, estratégias e práticas aplicadas nas décadas de 1950 e 1960 eram bem mais eficazes e eficientes tanto para a alfabetização quanto para a produção do texto escrito.
    Mas preferiu-se “sociologizar” a formação docente inicial mais do que lhes oferecer técnicas, estratégias e ferramentas para ajudar que os alunos se transformem em estudantes que leem e expressam o que sentem e o que entendem.
    Profa. Iolanda Cortelazzo (76 anos em atividade ainda)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close