Texto – provocação setembro/ 2021 Grupos escolares: Um modelo de escola primária ainda carente de estudos na Bahia.

A imagem de abertura do texto provocação do mês de setembro exibe o prédio do Grupo Escolar Rio Branco, seus professores e estudantes, em fotografia publicada no Álbum da cidade do Salvador (Melo,1923), conforme referenciado em José Augusto Ramos da Luz (2013 ). Além das escolas anexas à Escola Normal, que funcionavam na esfera estadual, este foi o primeiro grupo escolar do estado da Bahia organizado e mantido por uma adminsitração municipal. Instalado em Salvador, no antigo distrito da Penha, na Península de Itapagipe, cidade baixa, não conseguimos identificar, até o momento, vestígios do edifício escolar que foi o último local de funcionamento do Rio Branco.

O texto-provocação do mês de setembro, Grupos escolares: Um modelo de escola primária ainda carente de estudos na Bahia, nos estimula a buscar permanências e diferenças entre os princípios de organização e funcionamento das escolas, até a década de 70 do século XX, e a organização escolar da contemporaneidade.

Planta da reforma do prédio do Grupo Escolar Rio Branco datada de 1929 e localizada no Arquivo Público do Estado da Bahia

Leia o texto-provocação do mês de setembro 2021 e fique atento para a exposição GRUPOS ESCOLARES NA BAHIA que será em breve publicada em nosso Blog.




GRUPOS ESCOLARES

Um modelo de escola primária ainda carente de estudos na Bahia

Cândida Pereira dos Santos Monteiro

Pensar nos grupos escolares, modelo de escolarização primária, propostos no primeiro período republicano e extintos em 1970, é recordar com saudosismo a escola pública primária de décadas anteriores, responsável pela formação básica de inúmeras pessoas. Em diversas cidades, as marcas dos grupos escolares, ainda estão materializadas nos prédios onde funcionaram essas instituições, referenciados por memorialistas e ou pelos mais velhos habitantes das cidades, como o “prédio do antigo grupo escolar”, representando, assim, um símbolo da educação local.

Para além destes prédios, vários processos educativos, constitutivos da sua cultura escolar, continuaram presentes na configuração da escola do tempo presente. Os princípios que fundamentaram a organização e funcionamento escolar dos grupos, na Primeira República, como a seriação, agrupamento dos alunos de acordo a idade e nível de conhecimento, racionalização do tempo, ainda que tenham sofrido reformulações de acordo com as demandas atuais da sociedade, foram conservados pela organização escolar contemporânea.

Pautados nos preceitos da modernidade pedagógica, os grupos escolares surgem na Europa, no século XIX, e passam  a ser referência de escolarização para o Brasil como novo modelo de organização educacional. São Paulo foi o estado pioneiro na implantação de grupos a partir de 1893. Aqui na Bahia, eles não foram muito difundidos, embora as leis e decretos estaduais, do período prescrevessem os grupos como modelo para a disseminação do ensino público primário. O entrave na construção dos grupos baianos se deu em função dos aspectos sócio políticos e econômicos, da realidade educacional do estado, dos parcos investimentos em educação pública, entre outros.

De todo modo, os grupos escolares no estado da Bahia foram sendo implantados de maneira diversificada, conforme ilustra a exposição GRUPOS ESCOLARES NA BAHIA, do mês de setembro (em fase de organização). A exposição apresenta algumas instituições  escolares baianas que buscaram implantar os preceitos propostos para grupos, evidenciando aspectos da cultura escolar primária, com suas características peculiares de organização e funcionamento, como: Salvador com Grupo Escolar Rio Branco e o Grupo Escolar Úrsula Catharino, Feira de Santana com o Grupo Escolar J. J Seabra, Ilhéus com o Grupo Escolar General Osório e Jequié com o Grupo Escolar Castro Alves. Maiores apontamentos sobre grupos escolares baianos, com enfoque no Grupo Rio Branco, compõem o estudo realizado por Cândida Pereira dos Santos Monteiro na dissertação PARA UMA HISTÓRIA DOS GRUPOS ESCOLARES NA BAHIA: A TRAJETÓRIA DO GRUPO ESCOLAR RIO BRANCO (1905/ 1929), disponível no Repositório de Teses e Dissertações do Blog.  

Apesar desse estudo, e de outros que tratam especificamente de grupos implantados em um dado município, existe uma carência de estudos com foco no processo de implantação e funcionamento desse modelo de escola em todo o Estado da Bahia, daí o título do texto-provocação do mês de setembro/2021.

Sobre a autora: Cândida Pereira dos Santos Monteiro, tem mestrado em educação pelo PPGEduC/UNEB onde desenvolveu pesquisa sobre o Grupo Escolar Rio Branco, de Salvador. É professora da rede privada de Morro do Chapéu, Chapada Diamantina e uma das editoras do Blog Modos de Fazer Educação na Bahia.



A leitura do TEXTO-PROVOCAÇÃO despertou lembranças da sua escola primária? Você lembra dos prédios onde estudou? Como eram eles? E qual era a organização e funcionamento das escolas que neles estavam localizadas?

Você já ouviu histórias de pessoas mais velhas sobre os prédios e funcionamento da escola onde estudaram?

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O QUE É UM TEXTO-PROVOCAÇÃO EM NOSSO BLOG

Um texto – provocação é um texto que aponta ou descreve questões, fatos, eventos, problemas da escola de ontem ou de hoje e que nos remete a reflexões sobre o contexto atual de nossa educação ou de nossa escola. Um texto – provocação pode ser especificamente escrito para ser publicado na seção EM DISCUSSÃO/TROCANDO IDEIAS ou originalmente escrito com outros fins. É um texto que pode assumir o formato de artigo, depoimento. resumo, poesia, charada, música e outros, pode inclusive ser a transcrição de textos já publicados, desde que sejam citados autor e fonte.

O que se pretende, sobretudo, é que provoque reflexões , sem ser longo ou excessivamente denso.

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