Celebramos o dia 15 de outubro falando de: posicionamento político do professor, da sua formação e de seus direitos pedagógicos.

Celebramos o dia

EM DESTAQUE: Fragmento de Card produzido no Centro de Referência em Memória da Educação na Bahia – CRMEMO/UNEB.

Quem disse que o professor não deve se posicionar, que deve ser neutro?

Os registros documentais sobre a história da educação da Bahia na Primeira República, objeto de nossas pesquisas, contam uma história de lutas, resistências e posicionamentos. Em algumas ocasiões, os professores se posicionavam politicamente a favor de seus direitos; em muitas outras, saíam em defesa dos princípios e valores democráticos que deveriam nortear a administração do Estado e da educação.

Esses docentes do passado adotaram uma atitude coerente com o que defende, na atualidade, o professor Jaume Trilla, da Universidade de Barcelona, autor do livro O Professor e os Valores Controversos. De acordo com Trilla::

Todos os valores que são defendidos por um sistema político democrático, como os direitos humanos, devem ser encarnados pelas escolas e professores. É claro que essa minha posição só é válida dentro de uma democracia. Em um estado totalitário, o que eu estou dizendo não serviria para nada, porque esses valores não são defendidos. Por isso, só governos totalitários defendem a neutralidade absoluta dos professores nessas questões.

(Depoimento transcrito em Amazonas Atual, no dia 20/06/2022, disponível em https://amazonasatual.com.br/e-dever-da-escola-defender-valores-democraticos-afirma-educador-jaume-trilla/)

E, em tempos atuais, um apelo do cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, secretário de Direitos Humanos no governo FHC e ex-relator especial das Nações Unidas.

No discurso proferido em plenária realizada na USP, em sete de outubro de 2026, o professor conclama os professores a um posicionamento, quando afirma: Este momento não admite neutralidade nem desculpa. Exige resistência: ao projeto autoritário bolsonarista, em defesa da universidade pública, da democracia e das liberdades. Ou resistimos agora, ou amanhã teremos de explicar por que, tendo compreendido o perigo, nada fizemos para eleger Lula, para impedir a tomada do Estado pela extrema direita bolsonarista.

Texto completo do discurso ao final da página.

VEJA VÍDEO

Uma professora da UNEB nos envia o seu corajoso e bonito posicionamento diante da situação em que se encontra o Brasil neste momento.

VEJAM VÍDEO

Vídeo postado por Maria José Mariano, Zezé, no grupo do WhatsApp “Homenagem a Jaci“, em 14 de outubro.

Zezé é professora aposentada da UNEB, doutora em educação pelo PPGEDUC e membro do Centro de Referência em Memória da Educação na Bahia – CRMEMO/UNEB.

Formação do professor: Questões (ainda?) atuais.

Em uma promoção da Universidade do Estado da Bahia-UNEB e da Academia Baiana de Educação -ABE ocorreu, no dia 14, o Seminário Licenciaturas em Foco: Reflexões sobre a formação – Um legado do Professor Roberto Santos.

Veja o vídeo para conhecer o pronunciamento dos ilustres palestrantes sobre diversas questões relacionadas com a formação do professor e para conhecer um pouco da ação do professor Roberto Santos em benefício da educação baiana.

Direitos Pedagógicos dos Professores da Educação Básica no Brasil

No dia 15 de setembro, convido os professores a ouvir a fala dos participantes da live “ Direitos pedagógicos dos (as) professores (as)” realizada no mês de setembro, próximo passado, em uma promoção do Pensar a Educação

A live teve como ponto de partida o reconhecimento de que em um contexto marcado por mudanças nas políticas educacionais, intensificação do trabalho docente e constantes desafios à autonomia profissional, discutir as condições necessárias para o exercício da docência torna-se uma tarefa urgente.

Veja vídeo

A homenagem do CRMEMO no dia do professor e da professora.

Conheça o card completo.

LEIA A TRANSCRIÇÃO DO DISCURSO DE PAULO SÉRGIO PINHEIRO:


Companheiras e companheiros,
A contrarrevolução da direita e da extrema direita, pela via das urnas, avança contra a democracia.
No Senado, a extrema direita terá maioria: 49 cadeiras em 81. Na Câmara, elegeu 121 deputados, e a direita chega a 303. A esquerda fica com 124.
Como entender um apoio tão vasto da população brasileira à extrema direita, capaz de unir os mais pobres e carentes à plutocracia branca?
Em 1967, numa reunião parecida com esta, com estudantes da Universidade de Viena, Theodor Adorno explicava que o apoio popular ao novo extremismo de direita eram “cicatrizes de uma democracia que não foi consolidada, que está incompleta”.
As forças de esquerda terão de explicar a incompletude da nossa democracia, depois de quatro décadas de redemocratização convivendo com um autoritarismo enraizado na sociedade. Mas não é hora de autoflagelação. É hora de vencer, e de vencer com Lula, a quem, em três governos, não se pode imputar uma só ameaça à estabilidade democrática.
Quais são as tarefas mais urgentes?

  1. Desmascarar a conspiração: a disputa destas três semanas é o embate da democracia contra uma extrema direita que não almeja um segundo governo Bolsonaro de quatro anos, mas, como apontou Vladimir Safatle, um projeto de vinte.
  2. Denunciar as palavras de ordem neofascistas do candidato da extrema direita: o elogio da ditadura militar, a exaltação de torturadores, a celebração de milicianos, o louvor ao golpe de 8 de janeiro, a impunidade para os golpistas condenados, a desvinculação dos benefícios sociais do salário-mínimo e a ameaça de usar a força caso o Supremo não respeite um indulto ao pai.
  3. Bradar que querem enterrar tudo o que a Constituição de 1988 deu à maioria negra e pobre e trazer de volta o mundo anterior aos direitos civis, ao multiculturalismo, à igualdade de gênero e à laicidade do Estado, em nome de um projeto teocrático de inspiração pentecostal. O bolsonarismo não quer estender direitos: quer extingui-los.
  4. Convocar os que se abstiveram: esta é a última oportunidade de impedir um regime de exceção, que acabaria com a alternância pelo voto.
  5. Escancarar, aqui dentro da universidade, o que significa a extrema direita com o Congresso na mão, a Presidência ao alcance e um governador neofascista em São Paulo: ataque frontal à universidade pública, cortes brutais de verbas, fim da liberdade de reunião e de pensamento, destruição do financiamento da pesquisa, arrocho salarial, perseguição ideológica a professores e estudantes, cerceamento da atividade sindical dos funcionários.
    Fecho
    O que vier depois do segundo turno depende de nós: das universidades, dos intelectuais, dos movimentos sociais, dos defensores de direitos humanos, dos jornalistas, dos partidos. Somos o alvo da retaliação que a ultradireita prepara.
    Não nos enganemos. O regime de exceção está anunciado com todas as letras. Já tentaram impô-lo em 8 de janeiro.
    Este momento não admite neutralidade nem desculpa. Exige resistência: ao projeto autoritário bolsonarista, em defesa da universidade pública, da democracia e das liberdades.
    Ou resistimos agora, ou amanhã teremos de explicar por que, tendo compreendido o perigo, nada fizemos para eleger Lula, para impedir a tomada do Estado pela extrema direita bolsonarista.

Fonte: Discurso disponível em TUTAMÉIA TV no link https://www.youtube.com/watch?v=7qjOu8xURRE&t=25s

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