EM DESTAQUE: Povo na rua no Centro Histórico de Salvador, na festa do 2 de Julho, Independência da Bahia, em foto enviada por Eduardo Santana.
Agrdecimentos
Carlos Eduardo Santana, Eliete Santana, Fátima Brandão, Florinda Pinheiro Almeida, Gicele Alakija, Ione Sousa, Sandra Maria Benevides, Tiane Melo e Thiago Santana (Itacaré) colaboraram nesta edição do Blog Modos de Fazer Educação na Bahia, enviando fotos e vídeos sobre os festejos do 2 de julho 2024.
As editoras agradecem a colaboração.
(Veja ao fim desta página mais informações sobre nossos colaboradores)
A presença das escolas públicas no 2 de julho de 1918
Em 2023 relativas sinalizamos o encontro de uma pequena quantidade de informações sobre a presença das escolas nos festejos de 2 de julho em comparação com o que foi localizado para o 7 de setembro. Consultando mais uma vez o nosso acervo de periódicos, descobrimos o texto: O NOSSO DIA DA LIBERDADE… Como será comemorado este ano o 2 DE JULHO.
A notícia publicada na primeira página do Diário de Notícias, na edição do dia 27 de junho de 1918, descrevia o programa das “grandes festas promovidas pela Intendência e pelo Instituto Histórico” através das seguintes seções: A passeata cívica, Desfile de continência, O novo edifício do Instituto Histórico, O concurso das escolas públicas, No Campo Grande, As festas à noite e A favor do Instituto.
Logo após o registro das cerimônias que seriam realizadas na Piedade para a colocação da pedra inicial da construção do edifício do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o jornal destaca a participação das escolas em duas seções que transcrevemos abaixo.
O concurso das escolas públicas
Terminada essa parte do programa, formarão as escolas públicas. Serão centenas de crianças prestando a sua homenagem aos grandes de 2 de julho, que marcharão em direção ao Parque Duque de Caxias.
Lembramos aqui, à comissão dos festejos, na pessoa do incansável dr. Bernardino de Souza, a alma da comemoração, a necessidade das autoridades, associações e comissões fazerem o trajeto da Piedade até ao Campo Grande a pé, como as franzinas crianças. É mais democrático esse gesto do que vê-las como figurões de alguma dinastia de opereta, repimpadas nos almofadões cômodos dos automóveis…
É preciso que todos se confraternizem.
E logo, em seguida:
No Campo Grande
Segue o programa: No parque Duque de Caxias as escolas darão entrada pelo lado esquerdo, em face do monumento, onde estacionarão.
Cada colégio oferecerá, ali, o seu ramalhete, depositando-o no monumento.
Usará da palavra o dr. Rui Penalva, deputado estadual. Será um e nas crianças, futuro do Brasil, ali cultuando naquela homenagem tradicional o sagrado amor da Pátria.
Também recitará uma poesia patriótica alusiva, o professor Roberto Corrêa.
Após ouvirem-se os oradores, o sr. Intendente dr. Epaminondas Torres convidará os colégios a depositarem, no monumento 2 de julho as suas oferendas.
Estes, à medida que prestarem a sua homenagem, desfilarão, cantando hinos, formando um cortejo, dentro das alamedas do Parque.
Fonte: Jornal Diários de Notícias, Salvador, 27 de junho, 2018. Veja Pdf. https://acrobat.adobe.com/link/review?uri=urn:aaid:scds:US:6a409bd6-d476-3d1a-8f42-c13380574a87
Destacamos, em negrito, o nome de Roberto Corrêa cuja presença no evento evidencia o papel de destaque que os professores da escola pública municipal tinham, em Salvador.
Não há destaques na notícia sobre a participação do povo. Supomos que o povo estaria presente em todos os eventos programados. A seção As festas à noite aponta para uma participação popular mais espontânea, para além dos eventos elencados na programação oficial proposta pela Intendência. Veja transcrição abaixo:
As festas à noite
Na Lapinha, Praça 15 de novembro e Campo Grande haverá profusa iluminação.
Nos coretos, tocarão bandas de música, sendo ótimos pontos de diversão.
Há uma nota curiosa, novas pranchas percorrerão a cidade, iluminadas, ornamentadas a gosto, conduzindo famílias.
O pavilhão da Lapinha estará aberto à noite.
No dia 3 continuarão os festejos [?] no Campo Grande percorrendo a cidade diversas bandas de música.
Em 1918, o número 8 da REVISTA ILUSTRADA(BA) foi dedicado a temas relacionados ao 2 de Julho. A legenda relativa ao conteúdo das fotos abaixo indica a presença, no 2 de julho de 1918, de alunos da escola particular Carneiro Ribeiro em frente ao prédio do pavilhão inaugurado naquele dia.
De acordo com a legenda os quatro alunos do Colégio particular Carneiro Ribeiro estão perfilados na frente do Pavilhão com uniformes assemelhados aos dos militares, em posição de guarda e proteção, no dia da inauguração. Inaugurado em 2 de Julho de 1918, o Pavilhão foi construído na Lapinha com o concurso do Instituto Geografico e Histórico da Bahia.

Legenda na foto: O professor Bernardino de Souza, benemérito secretário do Instituto Histórico e Geográfico; o doutor Arnaldo Pimenta da Cunha, dedicado construtor do pavilhão; alunos do Colégio Carneiro Ribeiro; tropas do exército em frente ao pavilhão; o hastear da bandeira, às 10:00 da manhã, do dia 2 de julho
Fonte:REVISTA ILUSTRADA(BA), Ano 2, n. 8, julho de 1918 (edidtada no Rio de Janeiro). Localizada na Hemeroteca BN Digital, disponível em https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=066940&pasta=ano%20191&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=353

Este é o Campo Grande, quando se chamava Parque Duque de Caxias, embora já fosse popularmente conhecido como Campo Grande. Foi alí que as escolas públicas de Salvador colocaram ramalhetes no monumento ao 2 de julho. Foto do Postal Almeida & Irmão, que circulou em 1930, localizado no Guia Geográfico Salvador Antiga, disponível em http://www.salvador-antiga.com/campo-grande/parque-duque-caxias.htm

O Monumento ao Dois de Julho, em fase final de montagem, em fotografia de Rodolpho Lindemann, em 1895, ano de sua inauguração. Foto no Guia Geográfico de Salvador, disponível em http://www.salvador-turismo.com/campo-grande/monumento.htm

O Monumento ao Dois de Julho nos dias de hoje (foto Casa da Photo).Foto no Guia Geográfico de Salvador, disponível em http://www.salvador-turismo.com/campo-grande/monumento.htm
A festa do 2 de julho de 2024, em Salvador: um passeio através de imagens.
Diferente do que ocorreu, em 1918, a programação da festa de 2024 foi ampla, envolvendo a participação de diversos grupos da população e apontando para uma grande informalidade na realização dos festejos comemorativos. Veja em https://www.correio24horas.com.br/2-de-julho/confira-a-programacao-completa-do-2-de-julho-em-salvador-0724
Uma festa de povo na rua
Você participou dos festejos? Esteve presente em algum momento da programação ?
Não precisa convite para participar, você não paga ingresso, vai vestido como queira, vai a pé, ou de bicicleta, leva uma placa parabenizando, protestando ou denunciando. Caminha, acompanhando o cortejo, ou se aboleta em um canto e fica vendo a passagem dos caboclos e dos demais participantes. Sem obrigação de nada…, só de comemorar a independência da Bahia.
Aproveite sua passagem pelo Blog Modos de Fazer Educação na Bahia para ver imagens do 2 de julho 2024, em Salvador.

Fachada de prédio residencial no trajeto do cortejo do 2 de julho de 2024
Os moradores no trajeto do cortejo decoram suas casas e participam do tradicional Concurso de Fachadas.
Povo na rua é uma característica dos festejos de 2 de julho.
O povo está presente nos diferentes momentos da programação dos festejos, na saída dos carros dos caboclos, na Lapinha, e nos diferentes eventos que ocorrem por todo Centro Histórico, até o Campo Grande. (Veja as imagens)










Alegria, diversidade e vibração marcam a participação do povo no 2 de julho, em Salvador.
ALEGRIA …ALEGRIA…

Presente na festa do 2 de julho deste ano, em Salvador, Gicele Alakija colaborou enviando fotos e vídeos feitos em tempo real. O sorriso largo em foto tirada no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, demonstra com que espírito os baianos comemoram o 2 de julho.
Diversos grupos se fazem representar
A presença dos políticos
Sem o amparo do palangue, os políticos desfilam, misturam-se com o povo de todas as cores e ideologias: recebem aplausos, vaias, cobranças. Será que recebem as bençãos dos caboclos?

Prefeito de Salvador , Bruno Reis, cercado por populares.

Presidente Lula da Silva e Governador do estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues Souza, acompanhando o cortejo cívico.
Presença do povo indígena

Representantes do povo indígena na altura da região dos Perdões/ Santo Antônio, caminhando em direção ao Centro da cidade de Salvador

Representantes do povo indígena na Avenida Sete de Setembro, em direção ao Campo Grande.
Presença da religião de matriz africana (veja vídeo)
O povo de santo esteve presente com vestimentas, dança e músicas típicas.
Presença das agremiações carnavalescas

O Afoxé Filhos de Gandhy no desfile do 2 de julho.
Muitos outros grupos estavam representados




Em salvador, a festa do 2 de julho também é um espaço de denúncias, contestação, reafirmação de pautas e de identidades.




Nem sempre o protesto, mensagem ou a pauta reivindicatória estão explícitos.

O centro histórico de Salvador é invadido por uma diversidade de sons. Bandas, fanfarras e grupos informais espalham musicalidade em diferentes estilos.
Banda a MULHERADA

O samba também esteve presente
Gicele Alakija e companheiras seguiam o Paroano Sai Milhó, o que nos garantiu o vídeo abaixo.(Veja vídeo)
O proprietário da tradicional Cantina da Lua dança ao som dos músicos do Grupo Carnavalesco Paroano Sai Milhó
A PRESENÇA DAS ESCOLAS
Bandas e fanfarras escolares percorreram as ruas nos desfiles cívicos de Salvador e do interior.

Fanfarra percorrendo o Centro Histórico de Salvador (escola não identificada)

Fanfarra percorrendo a praça Castro Alves (escola não identificada)

Colégio Estadual de Tempo Integral Abílio César Borges ( Núcleo Territorial NTE 26), em formação para o desfile.

Banda Marcial da escola Polivalente de Candeias desfilando, em Salvador, na Rua Chile.

Banda Marcial da escola Polivalente de Candeias desfilando, em Salvador, na Praça Castro Alves
Veja vídeo do desfile da BAMPOC, em Salvador
FANCEP, a fanfarra do Colégio Estadual professora Aydil Lima dos Santos do Município de Piritiba.


Fanfarrra FANAD, de Barra da Estiva ( NTE 03 Chapada Diamantina), no Ato Cívico em Homenagem à Independência da Bahia, no 2 de Julho de 2024.







UMA RARIDADE : Alunos com uniformes escolares no 2 de julho, em Salvador.

Alunos na Quadra do Colégio Soledade, na Lapinha, local do começo do cortejo cívico e da saída dos caboclos.
O desfile das escolas no município de Itacaré (Veja vídeo)
SAIBA MAIS…
Saiba mais sobre as PRANCHAS BONDES usadas na comemoração do 2 de julho de 1918
Santiago e Cerquqeira (2019) esclarecem:
Nélson Varón Cadena (2017) informa que o uso das pranchas ornamentadas no Carnaval ocorreu somente na Bahia. Elas eram montadas nas carrocerias locadas às companhias de bondes pelos foliões, conforme a disponibilidade. Nem precisavam ter bancos ou tetos, mas ao menos algumas deveriam ter as laterais, visto que, sem esses itens para segurança dos usuários, elas não poderiam comportar 60 a 70 pessoas, além de uma banda com quatro ou cinco músicos. Apareceram em meados da década de 1910 e ainda existiam na década de 1940, nas festas do Rio Vermelho. Como as pranchas poderiam ter licença para circular por trilhos espalhados pela cidade, o funcionamento normal dos bondes eventualmente tinha que ser suspenso.
Jorge Amado também faz referência às pranchas: Naquele tempo o Carnaval da Bahia era feito principalmente pelas pranchas, bondes enfeitados de f lores e papel, lotados de moças fantasiadas que corriam todos os itinerários dos trilhos, levando a alegria a todas as ruas e arrastando atrás de si os autos dos rapazes elegantes. Havia prêmios para as pranchas mais animadas e as mais belas. Segundo Vianna, inventaram-se a s pranchas ornamentadas para o carnaval familiar. Exibiram-se riquíssimas, pelo gosto e pelo custo” (Figura 28).
Sobre o uso dos veículos no Carnaval, Leal informa que os bondes bagageiros eram transformados em pranchas e conduziam orquestras e grupos de foliões, completamente decorados.
(Trecho extraído das páginas 62 e 63 do livro Sobre arcos e bondes: resgatando a memória urbana de Salvador de Cybèle Celestino Santiago e Karina Matos de Araújo F. Cerqueira, editado em Salvador pela EDUFBA, em 2019.)

Santiago, Cybèle Celestino.
Lutas pela Independência do Brasil na Bahia passam a integrar o currículo da Educação Básica
Publicado em 01/07/2024 no ba.gov.br
A resolução do Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE), nº 125/2024, de criar o componente curricular História da Bahia na rede de ensino baiana, foi homologada pela Secretaria da Educação do Estado, conforme publicação no Diário Oficial da última quarta-feira (26). A iniciativa de inserir as lutas pela Independência do Brasil ocorridas na Bahia no currículo escolar visa uma reparação histórica à data do 2 de julho de 1823, que teve grande importância para a configuração da nação brasileira. A pauta deverá ganhar repercussão nacional a partir da solicitação do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, ao Ministério da Educação, para que o assunto faça parte dos livros didáticos de todo o país.
2 DE JULHO
Nem sempre foi assim: o que mudou no trajeto do cortejo nesses 200 anos?
Inserção dos caboclos, fortalecimento da participação popular e extensão do percurso até o Campo Grande são algumas das transformações
Texto Publicado em 2 de julho de 2023 por Priscila Natividade no Jornal Correio da Bahia
Acesso o link para ler o texto completo https://www.correio24horas.com.br/minha-bahia/nem-sempre-foi-assim-o-que-mudou-no-trajeto-do-cortejo-nesses-200-anos-0723
As várias formas de contar a história da Independência da Bahia
Conheça a coletânea Bahia, 2 de julho: uma guerra pela Independência do Brasil
Organizada por Maria das Graças de Andrade Leal, Virgínia Queiroz Barreto e Avanete Pereira, publicada sob a forma de e-book pela Editora da Universidade do Estado da Bahia -Eduneb Disponível em forma digital emhttps://eduneb.uneb.br/bahia-2-de-julho-ebook/

Conheça o vídeo do comediante Ivan Mesquita, disponível em https://web.facebook.com/reel/1443729636278448
Sobre os colaboradores nesta edição:
Carlos Eduardo C. Santana-Doutor em Educação, pesquisador do PROMEBA -Projeto Memória da Educação na Bahia (http://lattes.cnpq.br/6479582391099989).
Eliete Santana – Pedagoga, Perita auxiliar aposentada por Gov/Ba.
Fátima Brandão – Mestre em Educação, estatística aposentada pela PMS.
Florinda Pinheiro – Mestra em Educação, aposentada pelo MEC.
Gicele Alakija – Psicóloga, Astróloga (youtube.com/@astralgicelealakija909).
Ione C. J. de Sousa – Doutora, pesquisadora do PROMEBA , profesora aposentada da UEFS (http://lattes.cnpq.br/4080954435622396).
Sandra Maria Benevides -Aposentada na área da saúde.
Tiane Melo dos Anjos – Mestra em Educação, Dirigente de colégio publico estadual, Editora do Blog Modos de Fazer Educação (http://lattes.cnpq.br/6386718538082892).
Thiago Santana – Profissional da área de turismo em Itacaré (+55 73 9148-8292).
Um comentário em “As escolas e o povo na festa da Independência da Bahia, no 2 de julho de 1918 e 2024.”