EM DESTAQUE: O Secretário de Educação e Saúde, Dr. Isaias Alves, recebe para uma entrevista, em seu Gabinete de Trabalho, os alunos redatores do Jornal Nossa Vida editado na Escola Getúlio Vargas. Foto no Boletim de Educação e Saúde, Volume I, dezembro de 1940.
O uso dos espaços educativos para além da sala de aula no passado e no presente
No dia do estudante é oportuno relembrar as práticas pedagógicas realizadas fora da sala de aula denominadas de atividades complementares, atividades auxiliares ou atividades extraclasse. Muitas vezes essas práticas foram apoiadas e fortalecidas pela existência de instituições consideradas auxiliares ou complementares da educação como o cinema, os clubes, as cooperativas, as bibliotecas e museus escolares.
Apesar dos muitos benefícios que traziam para a formação dos alunos, carregavam um forte componente ideológico nas concepções de cidadão e de cidadania em que estavam assentadas.
Tratar das atividades que podem ser realizadas fora dos muros da escola remete a reflexões sobre a relacão entre educação formal, informal e não formal, exige reconhecer e valorizar o potencial formativo de outros espaços, para além do ambiente escolar.
As visitas e excursões escolares no passado e no presente
As excursões escolares estiveram presentes em nossas escolas do passado, como recurso de aprendizagem. Em 1936, o Diretor da Escola Normal da Bahia, escreve em seu relatório:
Excursões escolares.
Incentivei e estimulei excursões acompanhadas sempre os alunos de seus professores e censoras, em turmas não muito numerosas para melhor eficiência do ensino e mais perfeita fiscalização.
Tiveram oportunidade de realizá-las, entre outros, os professores de Química, Agricultura. Pedagogia, Didática, Pericultura, Geografia e Educação Física.
A comunidade era convocada a colaborar para a realização das excursões. Em 1925, o Diretor da Escola Normal solicitou a intervenção do Intendente do Município da Capital junto às companhias de bonde Linha Circular e Trilhos Centrais para a emissão de carteiras de passagens reduzidas para as excursões pedagógicas com alunos do curso normal e escolas anexas. (Registro n. 154/1925 no Livro de correspondência oficial da Escola Normal da Bahia de ofício datado de 24/09/1925 ).
Alguns dias depois da excursão realizada ao Passeio Público, em 26 de setembro, o diretor enviou agradecimentos ao Gerente da Companhia Linha Circular pelos bondes fornecidos; agradeceu também a colaboração do Secretário da Polícia e Segurança Pública e dos diretores do Ginásio São Salvador e do Ginásio Carneiro Ribeiro. (Registros de n. 156/1925 a 161/1925 no Livro de correspondência oficial da Escola Normal da Bahia ofícios datado de 28 e 29/09/1925 ).
O recurso de aprender através das visitas e excursões era corrente nas escolas de formação de professores. Nathércio Cardoso, inspetor de ensino junto ao Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, enumera em seu relatório as várias excursões que a instituição realizou, em 1936, com alunos do curso normal.
Excursões
4º ano normal
Dia 19 de março – À Escola Viscondessa de Sauhype. (Jardim infantil). Aula de didática pré pré-primária.
Dia 14 de maio – À Escola Rural. Alberto Torres.
Dia 27 de julho -À Escola Ítalo- Brasileira.
Dia 25 de agosto – Ao Instituto de Cacau.
3º ano normal.
Dia 9 de maio- Ao Campo Experimental de Ondina. Aula prática de Agricultura
Dia 9 de agosto. À Escola Agrícola.
A prática das excursões também estava presente nas escolas primárias, conforme demonstram relatórios localizados pelo Grupo de Pesquisa em Educação e Currículo -GPEC.
Um exemplo é o relatório enviado, em 19/12/1936, por Guiomar Davina Ribeiro Costa, professora do segundo turno da Escola Goes Calmon, informando sobre a fundação da Sociedade de Beneficência Cooperativista e as visitas dos alunos a empresas e instituições da comunidade.
Grupo de alunos da Escola Góes Calmon em visita ao Museu do Estado, onde tiveram uma aula prática.

Foto no Boletim de Educação e Saúde, Volume I, dezembro de 1940.
Muito antes de 1936 as excursões já estavam presentes na prática de nossos professores primários. Em ofício datado de 22 de outubro de 1889, o professor primário Argemiro Placido Cavalcante da Escola pública da Freguesia do Pilar, em Salvador, dirigiu ao Diretor Geral da Instrução Pública uma solicitação:
Considerando indispensável as excursões pedagógicas como um dos complementos do ensino prático e grande elemento higiênico permita-me ainda V.Sa. pedir-lhe autorização para ao menos duas vezes por mês, sair com os alunos a passeio (em gafia atual). Veja em PDF Ofício DO PROFESSOR ARGEMIRO PLÁCIDO CAVALCANTE 1889
Uma foto registra, em 1908, a excursão pedagógica realizada pelo professor Cincinnato Franca e pela professora adjunta Emilia Imbassahy.
Foto da excursão pedagógica realizada, em 1908, pelo Grupo Escolar da Penha, posteriormente denominado de Grupo Escolar Rio Branco.

Fonte: VIANNA, Marisa. “… vou pra Bahia”. Salvador: Bigraf, 2004.
Em 1891, a recomendação de realizar excursões pedagógicas foi oficialmente introduzida no Regimento interno para as escolas públicas primárias (Disponível em https://modosdefazer.org/documentos-historicos-levantados/ ).
A partir de então, as leis de reforma e regulamentos de ensino passam a registrar as atividades complementares recomendadas, sendo o ato de 1925 o que faz referência a um maior número de atividades (Veja no PDF DAS INSTITUIÇÕES COMPLEMENTARES DO ENSINO 2.)
Apesar das determinações legais, um item das conclusões finais do Primeiro Congresso Nacional de Professores Primários realizado em Salvador, em 1953, indica que as instituições auxiliares do ensino e as atividades complementares ainda não haviam sido instituídas em todas as escolas baianas.
Item V das Conclusões Finais do Primeiro Congresso Nacional de Professores Primários realizado em Salvador, de 14 a 20 de dezembro de 1953

Recorte de um trecho de notícia publicada na Revista do Professor (Órgão do Centro do Professorado Paulista). São Paulo, N. 20, MAIO DE 1954, p.34
Ano de 2.024
Alunos do Colégio estadual Alberto Silva de Simões Filho -Ba, em excursão na Universidade Federal da Bahia, no dia 30/4/2024.
Durante a atividade os alunos visitaram os prédios onde funcionam os cursos de Biologia, Física, Letras e Direito, passearam de ônibus universitário entre cada campus visitado e almoçaram no Restaurante Universitário (Veja o vídeo).
Vídeo produzido por alunos do colegio estadual Alberto Silva durante a excursão realizada em 30/04/2024.
Fotos da excursão realizada na Universidade Federal da Bahia por alunos alunos do Colégio Estadual Alberto Silva, em 30/04/2024.
(Foto cedidas por Tiane Melo)








Acesse os links abaixo para ver registros de outras excursões realizadas por alunos do Colégio estadual Alberto Silva – Simões Filho, Ba.
1https://www.instagram.com/p/CwWJpAALrOy/?igsh=MXZhd2I0cm01anBkdQ==
2 https://www.instagram.com/p/Cwm2Aw_Lup0/?igsh=MXYycjg4OGZnZTFzdg==;
3 https://www.instagram.com/p/Cy09DJ2Ll5H/?igsh=MWduOTExMGNsd2hwbw==
4. https://www.instagram.com/p/Cwm2Aw_Lup0/?igsh=MXYycjg4OGZnZTFzdg==;
O cinema como recurso e espaço educativo, ontem e hoje
Ontem, na década de 30 do século XX, ainda no início da expansão das salas de cinema em Salvador, um aparelho cinematográfico estava presente na Escola Normal.
Página do relatório do Diretor da Escola Normal da Bahia do ano de 1936 dirigido ao Diretor do Departamento de Educação

Fonte:Biblioteca Pública do Estado da Bahia
Hoje, professores das escolas públicas levam seus alunos ao cinema como uma forma de colocá-los em contato com esse equipamento cultural, nem sempre acessível a diversos segmentos da população de Salvador
Alunos da Escola Municipal Edite Dantas, no bairro de Sussuarana, em Salvador, em um Shopping da cidade,onde foram assistir a uma sessão de cinema.

Foto por volta do ano de 2011, cedida pela professora Leila Joazeiro que comentou: Esse dia foi especial, pois muitas crianças nunca tinham ido ao cinema. Eu acho que fomos assistir o filme dos Smurfs.
Os Clubes Agrícolas e as atividades práticas realizadas no campo
Os relatórios de diretores e delegados escolar dos anos 30 do século passado registram a criação de clubes agrícolas e a realização de atividades de campo voltadas para a horticultura sob o estímulo dos orgãos de direção da educação. Sizenando Ferreira de Souza, diretor da Escola Antônio Bahia da Vilade Conceição de Coité, registra em seu relatório do ano de 1934 a fundação do Clube Agrícola Escolar.

Trecho do Relatório de Sinzenando Ferreira de Souza do ano de 1934 localizado no Arquivo Público do Estado da Bahia.
Recorte de jornal registrando a criação do Clube Agrícola Escolar da Escola Antonio Bahia na Vila de Conceição de Coité, em 1934.

Fonte:Relatório de Sinzenando Ferreira de Souza do ano de 1934 localizado no Arquivo Público do Estado da Bahia.
Diretoria do Clube Agrícola Escolar da Escola Antonio Bahia criado em 1934.

Foto no Relatório de Sinzenando Ferreira de Souza do ano de 1934 . Da esquerda para a direita: Clóvis Rubem Boaventura -Tesoureiro; Edson Ferreira da Silva – Secretário; Prof. Iracema Cumming – Diretora; Duvaltércio Silva Pinto- Presidente; Agnelo Nunes Lopes -zelador.
Imagens de práticas realizadas no campo
Alunos da Escola Normal Rural de Feira de Santana sendo orientados na prática de instrução agrícola.

Fotografia de 1935 do arquivo da família Silva, Feira de Santana, Bahia. Disponível em https://www.facebook.com/photo/?fbid=10205583190810984&set=g.362453737286631
Alunos em atividades de campo
Na primeira foto: Alunos da Escola Normal de Caetité, assistindo uma aula prática de geologia.
Na segunda foto: Na Escola Normal Rural de Feira de Santana os alunos recebem aulas no campo e realizam,depois, trabalhos práticos no horto da Escola

Fonte: Foto no Boletim de Educação e Saúde, Volume I, dezembro de 1940.
Para saber mais, leia os textos:
CONTRIBUIÇÕES DOS ESPAÇOS NÃO-FORMAIS DE EDUCAÇÃO PARA AFORMAÇÃO DA CULTURA CIENTÍFICA de Daniela Franco Carvalho Jacobucci . disponível em https://seer.ufu.br/index.php/revextensao/article/view/20390
ATIVIDADES EXTRA-CLASSE, UMA EDUCAÇÃO FORMAL OU NÃO-FORMAL? Amine de Souza Chaim; Fábio Pestana Calazans. Monografia de conclusão do curso de graduação. Centro de Letras e Artes – UNI-RIO Rio de Janeiro, Setembro de 1998 Disponível em https://www.unirio.br/cla_novo/ivl/cursos/aminechaimfabiocalazans.pdf
EDUCAÇÃO FORMAL FORA DA SALA DE AULA – OLHARES SOBRE O ENSINO DE CIÊNCIAS UTILIZANDO ESPAÇOS NÃO-FORMAIS. Roni Ivan Rocha de Oliveira ;Maria Luíza de Araújo Gastal. disponível em https://www.researchgate.net/publication/259046778_Educacao_formal_fora_da_sala_de_aula_-_Olhares_sobe_o_ensino_de_Ciencias_Naturais_utilizando_espacos_nao-formais