EM DESTAQUE: Bloco Pierrot de Plataforma no Campo Grande, em Salvador, no Carnaval de 2019. Foto de Peu Fernandes no texto Histórias dos bairros de Salvador: Plataforma.
Disponível em: https://www.salvadordabahia.com/experiencias/historias-dos-bairros-de-salvador-plataforma/
O Carnaval na Revista BAHIA ILUSTRADA- 1920

Com o título “Carnaval na Bahia” a revista Renascença de fevereiro -março de 1920 descreve em uma de suas páginas os eventos que marcaram o Carnaval daquele ano, em Salvador.
Editada no Rio de Janeiro a revista reproduz notícias extraídas de jornais recebidos de Salvador. Traz observações sobre os locais de concentração da folia: Praça 15 de Novembro, Rua Dr. J.J. Seabra (a famosa Baixa do Sapateiros) e a Praça Castro Alves sobre a qual registra:
Praça Castro Alves
Aí era desusado o movimento, tocando uma banda de música da Brigada Policial.
A Empresa Cinematográfica Baiana que gravou um belo “filme” das festas do Carnaval, fez distribuir bonitos prêmios, cabendo uma medalha de ouro ao conhecido industrial sr. Henrique Lanat e outra ao sr. Fernando Caldas.
Ao sr. Antônio Silva, o máscara que mais se espalhou fazendo graças a valer, coube uma medalha de prata e um diploma.
(em grafia atualizada).
Transcrito de BAHIA ILUSTRADA, Rio de Janeiro, Ano IV, Num 27-28, fevereiro – março, 1920.
Os bailes e festas
Diz a Revista: Houve animados bailes correndo todos na melhor ordem possível.
No texto são citados bailes e festas no: Londres Hotel, Politeama Baiano, Cine Jandaia, Teatro São João, Cassino Espanhol e Clube Euterpe, “onde esteve o que a Bahia tinha de mais seleto em sua sociedade“.
Os corsos e as serpentinas
A nota “chic” no Carnaval
Na revista: Durante os três dias consagrados a Momo, rua acima, rua abaixo, via-se uma extensa fila de automóveis conduzindo lindas fantasias, mascaradas e famílias.
E pela descrição do jornal o desfile dos automóveis ( o corso) ocorria dia e noite na Avenida Sete onde carros, foliões e transeuntes circulavam. As serpentinas cruzavam o ar, partindo dos bondes, sacadas e automóveis.

Acesse aqui para ver o texto em PDF Carnaval DE 1920 na revista BAHIA ILUSTRADA
O Corso e a prancha na Revista Renascença
Criada em 1916, a Revista Renascença se tornou uma das melhores fontes para a pesquisa de imagens da vida social da Bahia. As festas populares e o Carnaval sempre mereceram uma atenção especial de seus editores. Trazemos aqui fotos de uma prancha e de vários automóveis que participavam do corso (desfile) carnavalesco que foram publicadas em alguns números da revista entre 1919 e 1925.

Dois automóveis que tomaram parte no corso do Carnaval. Fonte: Renascença. Bahia. Ano III, Num XL, edição 040 (3), março de 1919 (Localizada na BNDigital)

Acima: Automóvel com “senhorinhas” fantasiadas de enfermeiras da Cruz Vermelha. Abaixo: Carro das borboletas.
Fonte: Renascença. Bahia. Ano VIII, edição 113(3), 16 de março de 1924 (Edição do Carnaval localizada na BNDigital)

Automóvel com mulheres fantasiadas de Queixas.
Fonte: Renascença. Bahia. Ano VIII, edição 113(3), 16 de março de 1924 (Edição do Carnaval localizada na BNDigital).
Duas fotos de automóveis no corso do Carnaval de 1923 no número 101 da Revista Renascença.


A legenda na revista para as duas fotos: Automóveis ornamentados conduzindo cavalheiros e senhorinhas que muito abrilhantaram o corso carnavalesco.
Fonte: Renascença. Bahia. Ano VII, Num 101, fevereiro de 1923(Localizada na BNDigital).
Carro premiado pela Comissão de negociantes da Baixa de Sapateiros no Carnaval de 1921

A legenda da foto dizia: Os noivos – auto do sr. Edmundo Guimarães em que se via um coupé em miniatura conduzindo os pequeninos noivos ladeados dum frade e dum juiz togado, todos caracterizados a rigor.
Renascença. Bahia. Ano V, Número 68, 15 de fevereiro de 1921 (Localizada na BNDigital),
As pranchas também alegravam a festa carnavalesca
Bondes empregados no transporte de produtos e bagagens no Carnaval eram transformados em pranchas. Ornamentados, transportavam músicos e foliões navegando pelos locais da cidade onde haviam trilhos.
Para saber mais sobre o tema, veja: SOBRE arcos e bondes. Resgatando a memória urbana de Salvador de Cerqueira e Santiago publicado em 2022, pela EDUFBA. Disponível em chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/31234/1/sobre-arcos-bondes-RI.pdf)

Prancha “reclamo” da Casa Barletta que se dedicava à fabricação, importação e comercialização de sapatos.
Fonte: Revista Renascença. Bahia. Ano IX, Número 125, 3 de maio de 1925(Localizada na BNDigital).

Capa do número 125 da Revista Renascença.
Sobre o Carnaval em tempos mais recentes
VÍDEO
Como o frevo, o trio e o axé surgiram
Postado por Neri Bispo, em 9 de março de 2023, no grupo Memória – Salvador e interior – Fotos antigas sobre a história baiana. Disponível em https://www.facebook.com/groups/1079419328842238/?hoisted_section_header_type=recently_seen&multi_permalinks=5801865236597600
Pouco conheço a história carnavalesca até o período dos anos de 1960, mas, já nos anos seguintes entre 1960 e alguns mais dez anos, participei de desfiles promovidos pelo Clube de Fantoches da Euterpe. Na época os desfiles seriam uma forma de presentear estudantes e participantes de grupos cultural que se “destacavam” em apresentações oriundas das ações ” socioculturais” de algumas entidades participantes da história carnavalesca do momento.Foi uma boa experiência, me tornei foliona por uma bom tempo.