Feliz dia das Mães: Uma Homenagem a todas as mães e, em especial, para as mães negras, baianas, que migraram tempos atrás da Bahia para outras partes do Brasil.

EM DESTAQUE: Negra com seu filho, em Salvador, Bahia. Foto de Ferrez, Marc do ano de 1884(circa) custodiada pelo Instituto Moreira Sales capturada na Biblioteca Nacional, disponível em:

https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2566

O tema do post de hoje, 12 de maio de 2023, foi sugerido pela leitora Eliete Santana, sendo alegremente acolhido pelas editoras. Iniciando a apresentação do tema trazemos uma poesia de autoria da professora Ana Célia da Silva, divulgada pela autora em suas redes sociais.

A realeza, para todas as mães afro brasileiras (POESIA DE AUTORIA DE Ana Célia da Silva)

Ana Célia, é professora aposentada da Universidade do Estado da Bahia e autora de vários livros, sendo o mais recente, FRAGMENTOS DE MIM, publicado pela editora Katuka , em Salvador.

Para representar a história das mães negras, que emigraram da Bahia para outras partes do Brasil e espalharam por todo país o culto e o respeito às tradiçoes ancestrais africanas, escolhemos a história da baiana, tia Ciata, nascida em Santo Amaro, que viveu a maior parte da sua vida no Rio de Janeiro, sem apagar as suas origens.

QUEM FOI TIA CIATA

Hilária Batista de Almeida (Tia Ciata ou Aciata)

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Nascida em Santo Amaro, Bahia, no dia 13 de janeiro de 1854, portanto ainda no Império, Hilária Batista de Almeida participou aos 16 anos da fundação da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira, cidade do Recôncavo baiano. Foi para o Rio de Janeiro já mãe de uma filha e lá teve mais 14 filhos. Junto com outras tias baianas foi iniciadora da tradição das baianas quituteiras no Rio de Janeiro, tendo participação importante na preservação da tradiçao religiosa africana e de outros aspectos da nossa ancestralidade. Morou no Rio de Janeiro no espaço atualmente denominado de Pequena África, onde inicialmente residiu na Pedra do Sal e, depois: no Beco João Inácio, Rua da Alfândega, Rua General Pedra, Rua dos Cajueiros, Rua Visconde de Itaúna e na Cidade Nova entre os anos de 1899 e 1924 (Fonte: Texto disponível em: https://www.tiaciata.org.br/tia-ciata/biografia).

Imagem da Tia Ciata (de pé), Hilária Batista de Almeida, no texto Pedra do Sal: lugar que um dia foi chamado de Pequena África publicado no Portal do Servidor da Prefeitura Municipal do Rio deJaneiro com a legenda ” grande responsável por manter as tradições africanas no local ”

Disponível em: https://www.rio.rj.gov.br/web/portaldoservidor/exibeconteudo?id=5320725

A casa de Ciata foi frequentada por importantes nomes da música popular como Hilário Jovino Ferreira, Donga, Pixinguinha, João da Bahiana, Heitor dos Prazeres, Sinhô e outros.

Acesse abaixo a gravação da música Pelo Telefone, do ano de 1916, de autoria de Donga, compositor que frequentou a casa de Tia Ciata .

Pelo Telefone foi o primeiro samba gravado no Brasil. Donga foi um músico, compositor e violonista brasileiro, filho de um pedreiro tocador de bombardino (instrumento de sopro) nas horas vagas e de uma integrante do grupo das baianas Cidade Nova que cantava modinhas e promovia inúmeras festas musicais.

SAIBA MAIS SOBRE TIA CIATA

VEJA O VÍDEO ABAIXO

VÍDEO DISPONÍVEL EM:https://www.youtube.com/watch?v=HuPGczeBGMQ , Transmitido ao vivo em 26 de mai. de 2023 no canal Tradição – Mário Filho (https://www.youtube.com/c/ezezidetradicaomariofilho)

SAIBA MAIS SOBRE A PEQUENA ÁFRICA

“Pequena África” é o apelido dado pelo sambista Heitor dos Prazeres (1898-1966) à área abrangida pelos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo, na zona portuária do Rio de Janeiro. Ocupada por uma população majoritariamente negra, a região foi recentemente apontada pela revista TimeOut de Londres como uma das mais “descoladas” do mundo, com bares charmosos e lugares fascinantes como o Cais do Valongo, o Cemitério dos Pretos Novos e a Pedra do Sal, cuja história está intimamente ligada ao tráfico transatlântico de escravizados, à diáspora africana e ao nascimento do samba. Também na região, estão o morro e a favela da Providência, a mais antiga do Rio de Janeiro. Veja https://riotur.rio/que_fazer/pequena-africa/ .

Em anos recentes, o local foi transformado em um espaço de celebração da herança africana no Rio de Janeiro e integra o circuito turístico da cidade. As informações sobre o espaço em sites da Prefeitura Municipal do Rio de janeiro destacam a presença de Tia Ciata.

Veja https://www.tiaciata.org.br/

Veja também ROTEIRO PEQUENA ÁFRICA no site da RIOTUR disponível em https://riotur.rio/que_fazer/pequena-africa/

SOBRE A PEQUENA ÁFRICA , EDSON FARIAS, COMENTA:

[…]situado na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Versão contemporânea do território mítico-geográfico da lendária Pequena África carioca, o Chacha se inscreve na paisagem resultante do processo de requalificação urbana daquela parte da cidade, no qual as funções portuárias ali desempenhadas foram alteradas em favor da implantação de um arranjo voltado às atividades de consumo cultural e lazer, mas articulado principalmente a polos corporativos dos setores imobiliários, financeiros e de combustíveis (COUTO, 2019; NASCIMENTO; SILVA, 2015). Sua inauguração ocorreu em 2012, em meio à implantação do projeto RioMaravilha3, alvo de contestações e gerador de conflitos, mas com amplo apoio da administração municipal e saudado pela capacidade de unificar cultura e empreendimento turístico. Tematizado como um domínio de memória, em que se acionam prestações de serviços culturais orientadas à reelaboração de lembranças, o Circuito põe em conexão os desígnios de mercantilização de bens simbólicos próprios à estrutura urbano-industrial e de serviços contemporânea ao passado escravagista brasileiro respaldado no tráfico humano intra colonial transatlântico, movimentado na rota triangular África, Europa e Américas. O status de espaço de exceção patrimonial ora ostentado pelo Chacha (Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana), adveio da aplicação da política pública com a qual – em obediência a um conceito ampliado de museificação – foi transformado, em meio a disputas e contestações (NARA JÚNIOR, 2016), em documento histórico-cultural, um conjunto formado por seis componentes da paisagem arquitetônico-urbanística citadina. Reconhecido como vestígio de um episódio marcante da história humana – a escravidão em massa de povos negro-africanos–, esse conjunto galgou à condição de símbolo no qual contracenam, a um só tempo, e nem sempre a salvo de conflitos entre si, o registro da saga de um dos mais expressivos grupos formadores da sociedade e do povo-nação brasileiros e o ícone de uma entre as tantas culturas de diásporas afro-americanas.

Veja o texto O lugar e a mobilidade: a Pequena África carioca no anverso da circulação turística de Edson Farias em: Políticas Culturais em Revista, Salvador, v. 13, n. 2, p. 57-107, jul./dez. 2020. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/pculturais/article/view/37459/21936

Conheça o mapa da Pequena África

Disponível no texto Pequena África, joia do Rio, pode ter proteção da lei de Renan Rodrigues publicado nojornal O Globo, em 26/05/2019 https://oglobo.globo.com/rio/pequena-africa-joia-do-rio-pode-ter-protecao-da-lei-23694595

2 comentários em “Feliz dia das Mães: Uma Homenagem a todas as mães e, em especial, para as mães negras, baianas, que migraram tempos atrás da Bahia para outras partes do Brasil.

  1. Gratidão aos nossos primitivos linda história*

  2. Achei muito bom, representou muito a história do Brasil

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