Junho é mês de festas juninas no Nordeste e na Bahia.

No Nordeste do Brasil o mês de junho é marcado pelas festas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro. Apesar de mudanças observadas com o passar do tempo, muitos dos usos e costumes que marcaram o período junino foram preservados. Neste 22 de junho de 2025, o Blog Modos de Fazer Educação na Bahia rememora o São João do passado e traz notícias das comemorações em dias atuais.

Nas escolas do passado, na Bahia.

No ano de 1939 a Revista Bahia Tradicional e Moderna traz notícias das festas de São João nas escolas Duque de Caxias e Castro Alves, em Salvador, que contaram com a presença de Isaías Alves (Secretário de Educação e Saúde) e de outras autoridades.

BAHIA- Tradicional e Moderna, Salvador, Ano 1, Número 2, Julho de 1939.

O museu do Cumbe preserva a foto de uma quadrilha participante do concurso do ano de 1964, no município de Euclides da Cunha.

Fonte: Museu do Cumbe/ Euclides da Cunha. Postagem de 6/09/2010. Foto disponível em https://www.museudocumbe.com/2010/09/quadrilha-de-sao-joao-turma-1964.html

A foto foi uma contribuição de Fernando Moura ao Museu do Cumbe. Acompanhando a foto um texto diz: “Turma que disputou o primeiro lugar no concurso de quadrilha de São João, em 1964. O concurso foi no Night Club, que era situado na avenida Rui Barbosa. Apesar dessa turma não obter o resultado desejado todos desceram animados a avenida Rui Barbosa, cantando e brincando forró até o prédio onde funciona hoje o posto central para uma foto. Depois, a festa foi contagiante, festa total em toda avenida” .

No passado, a alta sociedade de Salvador comemorava o São João em clubes elegantes.

Em 1925, a revista RENASCENÇA publica foto dos participantes do baile realizado na Associação Atlética da Bahia, em comemoração ao nascimento de São João.

Fonte: Renascença. Bahia. Ano IX,Num 128, 2 de junho de 1925 Foto disponível em https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138614&Pesq=S%c3%a3o%20Jo%c3%a3o&pagfis=5807

Em 1928, o lamento de um residente na capital do país destaca a diferença entre o Nordeste e outras regiões na comemoração das festas juninas.

Mario Hora registra em um artigo a saudade do São João do Nordeste (Aracaju e Salvador), destaca os usos e costumes característicos das festas juninas e marca a diferença em relação a outras regiões do país. Veja fragmentos do seu texto:

Do ocaso das tradições.

Nessa noite fria e linda em que começo esta minha pobre crônica,  quanta saudade viva, quanta recordação suave dos meus tempos de menino no meu torrão natal, vizinho de São Salvador, da invicta Bahia, pequenino, humilde, pobre mas independente ?

Conhece os meus leitores de  “Renascença” as  areias brancas [..] a praia da Barra dos Coqueiros […].

Pois é lá no meu Aracaju  provinciano – Já agora tão diferente do outro que me viu dar os primeiros passos – que eu penso ao escrever esta minha pobre crônica lamurienta, nesta noite fria e linda de Santo Antônio, aqui na “Cidade de Ouro” capital da união.

Ah! as noites de Santo Antônio dos meus treze anos, com as suas fogueiras   crepitantes, as suas novenas em ninchos armados em todas as casas, as suas girandolas de foguetes de lágrima, derramando do alto da noite escura e estrelada, as suas lágrimas de luz multicor!. O milho verde e o aipim na fogueira!  O manauê de nata, a canjica e o munguzá! E os bacamartes tronitoantes! E os bailes alegres e alacres!. E as sortes de salão e de terreiro? E os beliscões furtivos e os beijos roubados nos longos corredores das casas coloniais?[…]

Em verdes anos da minha meninice habitei São Salvador da Bahia durante dois anos. Lembro-me bem que ahí, como na minha terra, Santo Antônio, São João e São Pedro são memorados com a pirotecnia, as novenas, as fogueiras e as festas características do norte do país.

Daqui do Rio, nesta noite de Santo Antônio, linda e fria mas sem um foguete, sem uma fogueira, sem uma novena, eu felicito os meus leitores de” Renascença”, que tem a ventura de ser filhos de um pedaço do Brasil onde são respeitadas – no que pese aos progressos de hoje –  as tradições religiosas e históricas que foram a glória e a alegria dos nosso antepassados.

Artigo assinado por Mario Hora publicado em Renascença. Bahia. Edição 158, Ano XII, janeiro de 1928. Disponível em:

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138614&Pesq=S%c3%a3o%20Jo%c3%a3o&pagfis=7020

Aspectos das festas juninas no século XXI.

Ruas ornamentadas

A livre iniciativa de moradores e os concursos instituídos pelas Prefeituras Municipais tentam preservar a tradição das ruas ornamentadas.

Foto de rua ornamentada em Vitória da Conquista -Bahia no texto População conquistense mantém tradição de ruas ornamentadas para o São João publicado em 12 de junho 2025 no site Conecta Conquista da Prefeitura Municipal. Disponível em
 https://www.pmvc.ba.gov.br/populacao-conquistense-mantem-tradicao-de-ruas-ornamentadas-para-o-sao-joao

Preservação da tradição das quadrilhas juninas

Iniciativas particulares animadas pelo desejo de participar de concursos instituídos pelas administrações municipais e estaduais garantem a manutenção da tradição das quadrilhas. O Dia Nacional do Quadrilheiro Junino é celebrado anualmente no dia 27 de junho (Lei 12.390, de 2011).

Foto da quadrilha Luar do Recôncavo no 16º Concurso Estadual de Quadrilhas Juninas da Bahia. Publicada em texto da redação da Revista Let’s Go Bahia Da Redação, em 16/06/2025, com fotos de Caio Diniz. Disponível em

https://letsgobahia.com.br/noticia/tv-e-entretenimento/luar-do-reconcavo-conquista-titulo-inedito-no-16-concurso-estadual-de-quadrilhas-juninas-da-bahia

Festejos juninos um motivo para fomentar o turismo

Em uma competição para atrair turistas as cidades do nordeste investem na realização de eventos tendo como tema central as tradições do mês de junho. Entre os vários eventos realizados em Salvador, houve a promoção de um cortejo junino tendo como palco a rua Chile e ruas do Centro Histórico.

Veja vídeos

Disponível em https://www.instagram.com/reel/DKp5VbOJabk/

SALVADOR BAHIA – SÃO JOÃO DO CENTRO HISTÓRICO, UM POUCO DO 1° DIA DO CORTEJO JUNINO.

Vídeo postado em 8 de jun. de 2025, no canal Vumbora 4k (https://www.youtube.com/@Vumbora4k).

Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=gLJmADtlpBg

Mas, ainda é preciso insistir na preservação das tradições juninas

Veja Braulio Bessa na defesa do nosso São João, no vídeo “Festa Junina

Postado em Passa na TV (https://www.youtube.com/@PassanaTV), , em 21 de junho de 2024. Disponível emhttps://www.youtube.com/watch?v=SnSN4W3axBk

E será que as quadrilhas juninas atuais guardam a magia de antigamente?

Veja como Mari Bigio descreve a magia das quadrilhas em texto publicado em 05/05/2021

A Magia da Quadrilha Junina – Literatura de Cordel

Quadrilha Junina – Xilogravura de J. Borges

Quando penso em São João

lembro a Quadrilha Junina

arraial todo enfeitado

pra essa festa que é divina

a turma, que já ve pronta

a apresentação se monta

brincadeira genuína!

A dança típica nordestina

que lá na Europa nasceu

saiu do salões da corte

virou do povo plebeu

comandos em “matutês”

com resquícios do francês

pouco que permaneceu

Aqui se estabeleceu

do Sertão fez seu reduto

recebeu nova roupagem

e é sucesso absoluto

com personagens diversos

com rimas e muitos versos

e o Casamento Matuto

Tem o Noivo, sempre astuto

que correr, pra se livrar

fugindo do casamento

levado à força ao altar

a cena fica intrigante

pois sua Noiva gestante

o espera pra se casar

Já pronto pra celebrar

o Padre um tanto confuso

o Pai da Noiva, sisudo

e o Delegado obtuso

o Noivo não quer velório

e assim se faz o casório

e o caso encerra, concluso

Uma Dama, em parafuso

que é convidada da festa

desmaia na multidão

com sua mão sobre a testa

perdeu pra sempre o amado

o Noivo, agora casado

e chorar é o que lhe resta…

A celebração modesta

sai pro baile iniciar

cada Dama e Cavalheiro

vai procurando seu par

o Marcador vem puxando

e o povo vai se animando

pra começar a dançar

Tome sanfona a tocar!

zabumba na marcação

e o triangueiro arretado

dá-lhe com força na mão!

Os vestidos, bem rodados

saias cheias de babados

vão girando no salão

Eis que chega Lampião

homem corre, mulher grita

a festa que estava calma

no mesmo instante se agita

Soldado com Cangaceiro

dois “cabra macho, encrenqueiro”

e a multidão toda aflita

Só que Maria Bonita

quer curtir a festa em paz

Lampião faz concessão

o Soldado também faz

o Juiz entra no meio

a trégua é posta em sorteio

com a moeda de um rapaz…

Aquele acordo é capaz

de durar um só momento

mas todos voltam à dança

festejando o casamento

já vão se ajustando os pares

Marcador: – Aos seus lugares!

a Quadrilha em movimento

Dançar lhes traz um alento

quem não ama um Balancê ?

Marcador: – Alavantu !

e depois: – Anarriê !

– Olha a chuva! Te molhou?

não se avexe: – Já passou!

lá vem Desfile e changê !

Se dou a mão pra você

a Grande Roda vem vindo

depois o Túnel se forma

como todo mundo aderindo

– Olha a cobra, é mentira!

e a Rainha dança e gira

com seu brilho reluzindo

Sob o céu noturno e lindo

com as bênçãos do luar

o buquê jogado às Damas

e a festa por terminar

Os Noivos em despedida

vão viver a nova vida

que agora vai começar

Fogos explodem no ar

e a Bandeira de São João

a Quadrilha é aplaudida

já vai deixando o salão

em adeus, o Marcador

vai dizendo o seu louvor

com a mão no coração

A Quadrilha é emoção

mais que coreografia!

é humor, suor, trabalho

brincadeira e sincronia

é orgulho e devocão

é cultura, é tradição

Quadrilha é pura Magia

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