Exposição escolar fevereiro/março 2022 (p.3)

Ainda aprendendo

Para bem desempenhar minhas funções como regente do C.E.D.B.C. procurei participar de cursos de extensão pedagógica quando a Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia os promovia na área de Educação. Também participei de Seminários e Congressos promovidos por instituições de abrangência nacional, como a SUDENE, MEC, USAID, Associação dos Professores Licenciados do Brasil e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a maior entidade científica do Brasil, da qual sou sócia.

Tenho o privilégio de ser uma constante na vida dos alunos de um modo geral, principalmente os diretamente ligados através das disciplinas que leciono. Por ser uma pessoa de natural comunicabilidade, sempre sou convidada para madrinha da turma do 3º Magistério. Durante a minha vida no C.E.D.B.C. por 12 vezes fui com este gesto agraciada. Também me senti deveras lisonjeada ao ser escolhida para Orientadora do Centro Cívico Marechal Rondon, deste grande e querido educandário.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é COM-AFILHADAS-DO-CURSO-DE-MAGISTERIO-1974.jpg

Alcira com a turma de ‘afilhadas’, professorandas do CEDBC em estágio do Curso de Magistério – 1974. Acervo da Professora Alcira.

Possuo alguns certificados meritórios, mas um deles se destaca – o da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a mim conferido por intermédio da Prefeitura Municipal de Jacobina, no dia 17 de setembro de 1980, por “revelar espírito cívico e talento artístico, que muito contribui para abrilhantar os festejos da Semana da Pátria”.

Novas experiências

Reassumi as funções de regente nas Escolas Reunidas Luís Anselmo da Fonseca pelo período de 9 anos. Foi uma vida nova com colegas de gabarito na regência de classe e direção.

[…]

As Escolas Reunidas pelo seu bom funcionamento e organização sempre serviram de modelo para outras que se instalaram na cidade. Queria muito bem a esta minha escola. Porém, um belo dia, fui convidada pelo então deputado Edvaldo Valois, meu amigo de sempre, para ocupar a Vice-Diretoria do Grupo Escolar “Alice Barros de Figueiredo” cuja posse se deu a 23 de novembro de 1971. Trabalhei nessa escola com uma equipe muito boa, amiga e eficiente. 11 anos se passaram e fui aposentada na referida função, deixando um rastro suave de luz beneficente, em 14 de julho de 1982!

A luta por uma faculdade

Jacobina recebe sempre pessoas ilustres vindas da Capital, a fim de participar de vários eventos como exposições de modalidades diversas, principalmente pecuária.

Assim, participamos certa vez de uma sessão solene realizada no então prédio da Sociedade 2 de Janeiro, depois Câmara de Vereadores e atual Banco do Brasil, onde se evocava a criação de uma Faculdade de Educação para nossa Jacobina

Discursava o professor Remy de Souza, grande educador baiano (autor de vários livros entre os quais Pensar é Bom, Sertões Filosóficos, A Filosofia do Mandacaru) que perguntou a cada um de nós o que daríamos para a fundação ou instalação de uma faculdade no município. Nesse instante da palestra, já “vislumbrávamos” perfeitamente a faculdade funcionando… Uma colega disse então: doarei a biblioteca… E eu de imediato: minha filha para ensinar! Estava lançada a semente! Era o ano de 1968 e Tereza Cristina, minha filha, estava a concluir o Ginásio. (Anos mais tarde, realmente, para a instalação da Faculdade de Formação de Professores de Jacobina, seguia o nome dela para o MEC, já com o título de Mestre em Educação, nos papéis oficiais com vistas à legalização da ocorrência).

.. Os dias, os meses, os anos foram passando e os políticos levaram para outros setores seus empreendimentos.

Outro dia, bastante ensolarado, por ocasião da inauguração do Fórum desta Comarca foi criada oficialmente nossa Faculdade, pelo Governo Antônio Carlos Magalhães. Era o ano de 1974…

Não foi fácil, entretanto, a instalação deste novo estabelecimento de ensino. Professores seguiram para Salvador a fim de se qualificarem através de Cursos de Especialização. O processo no DESAP – Departamento de Ensino Superior e Aperfeiçoamento de Pessoal da Secretaria de Educação e Cultura crescia, senão de realização, porém de folhas. A insistência e perseverança do professor Deputado Gilberto Dias Miranda são dignas de realce e reconhecimento perene.

Por amizade, entrei mais uma vez na história da educação deste nosso município. Faltavam dados para regulamentação do curso que iria funcionar. Fui então convidada pela professora Doutora Gizelda Santana Morais, orientadora de um Projeto que envolvia a coleta de informações sobre os municípios baianos que estariam em breve comportando um estabelecimento de ensino superior, a proceder à coleta de dados sócio-econômico- educacionais da região de Jacobina, ou seja, de todos os municípios que faziam parte da Coordenadoria Regional – CR 11. (Atualmente 16ª SUREC – Superintendência Regional de Educação e Cultura). Com muito entusiasmo, procedi a esta coleta, juntamente com Tereza Cristina e Láusia, apoiadas por Adhemar, meu esposo, que muito conhecedor de pessoas desses lugares, estabelecia os contatos e providenciava a chegada das informações escritas de cada município, o mais rápido possível.

No dia 27 de outubro de 1979, entreguei todos estes dados ao participar de uma reunião no DESAP, em Salvador. Finalmente foi assinado pelo Governador do Estado o decreto nº 27.598/80 aprovando o Regulamento da Autarquia Faculdade de Formação de Professores de Jacobina! E em novembro, o Presidente da República com o Decreto nº 85.361/80 autorizava o funcionamento do curso de Letras, Licenciatura de 1º grau, da Faculdade de Formação de Professores de Jacobina – BA.

Em janeiro de 1981 aconteceu o 1º vestibular na cidade e em março, com grande satisfação, participei com mais de uma centena de pessoas, da sessão solene e Aula Inaugural, presidida pelo Secretário da Educação da época, professor Eraldo Tinoco.

Mais uma etapa vencida!

No meio do povo presente, fiquei emocionada e convicta de que naquele instante, nossa querida Jacobina estava entrando numa nova fase de cultura, marco em sua história de Cidade participante do progresso do Brasil.

Portões de entrada do Campus IV- UNEB -Jacobina. Disponível em https://www.observadorindependente.com.br/2018/10/jacobina-professor-da-uneb-e.html. Acesso em 27/03/2022

À Guisa de conclusão

[E ao finalizar o texto, em 26/7/2005, Alcira escreve…] Cinqüenta anos se passaram…

Jacobina é uma próspera cidade do sertão baiano. Tem atualmente na sede vários grupos escolares, tem o Centro Educacional Deocleciano Barbosa de Castro, o Colégio Municipal de Jacobina, e vários outros particulares… Tem a Faculdade de Formação de Professores … Campus da UNEB…

Imagem do prédio do CEDBC, em 2012 . Acervo de Tereza Cristina Pereira Carvalho Fagundes.

Os rios Itapicuru e do Ouro continuam os mesmos. […]

A Estação onde desembarquei, deslumbrando a visão panorâmica de outrora, ainda se encontra no mesmo lugar, porém com a desativação da estrada de ferro Leste Brasileiro, não mais nela chegam visitantes ou moradores como eu, que um dia aqui cheguei.

Parece que foi ontem e já se passaram vinte anos desde o dia em que escrevi o meu primeiro livro, em que narrei esta história, minhas memórias como educadora e intitulei-o de Cinqüenta Anos Depois.

Sem falsa modéstia, sinto-me realizada por ter contribuído desta forma para a educação da cidade que me acolheu e aprendi a amar. Fui agraciada pela Câmara de Vereadores, também no ano de 1985, com o título de Cidadã Jacobinense. Aposentada, continuei sendo educadora, difundindo o que aprendi em ambientes informais e também formais como a Academia Jacobinense de Letras, da qual participo desde a sua fundação, em 1988. Continuo, ousadamente, escrevendo sobre esta terra, sobre minhas memórias da infância e juventude e sobre a atualidade.


CRÉDITOS

Leitura do texto original de Alcira, seleção dos trechos para transcrição e organização da exposição:

Editoras do Blog Modos de Fazer educação na Bahia no passado e no presente

Imagens utilizadas :

Acervo da professora Alcira e Acervo do GPEC

Agradecimentos:

Nossos agradecimentos a professora Tereza Cristina Pereira Carvalho Fagundes, filha de Alcira, que cedeu ao GPEC uma cópia do texto base para a organização da exposição

Para conhecer o texto completo da professora Alcira clique em A educação em Jacobina-Bahia: Memórias de uma educadora.

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