EM DESTAQUE. Foto de desenho do professor Álvaro Zózimo na página 30 do livro “Sempre a Serviço da Educação” publicado em Salvador pela UNEB/IAT, em 1998, localizado pelo GPEC, em 2012, na Biblioteca do Instituto Central de Educação Isaias Alves
Texto -provocação setembro 2024

Professor José Francisco de Sá Teles
Ao discorrer sobre suas recordações de aluno da escola primária da Primeira República1, o Professor Sá Teles relata:
É um estudo a fazer-se o das várias formas e instrumentos de suplícios a que esteve sujeito o menino no Brasil em casa e no colégio: as várias espécies de palmatórias, a vara de marmelo, às vezes com alfinete na ponta, o cipó, o galho da goiabeira, o muchicão, o cachação, o puxavante de orelha, o beliscão simples, o beliscão de frade, o cascudo, o cocorote, a palmada”. E arrematando: “O menino foi vítima quase tanto quanto o escravo do sadismo patriarcal”. De sorte que, hoje, as privações do recreio e a aplicação de castigos assemelhados são suavíssimos, se comparados, por exemplo, com o “ajoelhar em caroço de milho” durante horas ou com os bolos das várias palmatórias pedagógicas ou domésticas – a de pele de cação, a de jacarandá e a maior, para os valentões, de “gramari”, muito usadas para punir as sofridas crianças de antanho.
É de notar-se, por exemplo, na região da Chapada Diamantina, no São Francisco e outras, a aplicação de castigos rigorosos até aí pelos anos 40.
O meu primeiro professor público formado, Angelo Costa, em 1925, usava palmatória e régua de jacarandá, esta de uns 70 centímetros de comprimento, com a qual nos castigava as pernas, às vezes a ponto de ficarem roxas.
Os bolos eram um suplício, e, às vezes aplicados não por questão de indisciplina, mas por uma resposta, má-criação ou lição mal sabida.
Por isto, engrandeço o meu velho mestre Augusto. Não que não tivesse os seus momentos de ira sagrada. Mas, sobre a sua mesa não existia instrumentos de castigo ou coerção de seus discípulos…
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1O relato foi extraído da página 32 do livro Subsídios à história da pedagogia e da educação na Bahia: recordações de um Mestre-escola de autoria de José Francisco de Sá Teles publicado em 2 ed., em Brasília pelo Senado Federal no ano de 1989.
O livro encontra-se disponível no setor Documentação Baiana da Biblioteca Pública de Estado da Bahia atual Biblioteca Central do Estado da Bahia.
Sobre o professor José Francisco de Sá Teles
Foi aluno da escola primária na Primeira República. Estudou na Escola Normal, em Salvador, e exerceu o magistério primário no interior do Estado. Inspetor Escolar com posse em julho de 1940, sendo Secretário da educação Isaías Alves de Almeida. Foi Professor do Instituto Normal da Bahia, atuou no ensino superior e desenvolveu atividades na área da Administração Educacional. Escreveu livros sobre temas educacionais.
NOTA DAS EDITORAS:
Utilizamos O TEXTO-PROVOCAÇÃO como um anúncio do tema tratado na Exposição Escolar mensalmente publicada no blog. Esperamos sempre que a sua leitura estimule recordações e reflexões preparando os leitores para a visita que certamente farão à exposição, quando ela for postada.
A Exposição Escolar/setembro 2024 terá o título: Tornar o ensino atraente, utilizar recompensas e só depois punir: Os preceitos legais para assegurar a disciplina na escola do passado.
Consideramos que a disciplina ainda é um dos temas centrais nas escolas dos tempos da selfie. Assim, convidamos você a ler o TEXTO-PROVOCAÇÃO e, a partir dele, rememorar os seus tempos de escola, refletir sobre a sua experiência docente ou familiar e levantar questões sobre a disciplina nas escolas atuais.
Disciplina escravocrata! Eu tive uma professora do primeiro ano primário que batia com uma régua na cabeça das alunas que ainda não sabiam ler! Um gesto ignoraste e sádico, que revelava o despreparo pedagógico daquela senhora para o ofício de alfabetização das crianças. A escola era em Ribeirão Preto, SP, no ano de 1963: Grupo Escolar Dona Sinhá Junqueira, a professora era a Dejanira.